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O que aprendemos com o Atacama

Dia 20 de setembro de 2019 partimos de Porto Alegre rumo ao deserto mais árido do mundo, o Atacama, localizado ao norte do Chile. E foi surreal! Voltamos outras pessoas, mais apaixonados do que nunca pela vida e pela natureza.

Foto tirada já no Chile, após cruzarmos a fronteira com a Argentina, no começo do espetáculo do pôr do sol.


Foi fácil? Nem um pouco. Mas a vida sempre me ensinou que não existe aventura boa e fácil ao mesmo tempo, já percebeu? Aquelas mais complicadas, as "indiadas", de perrengues sofridos, serão justamente as que você mais vai gostar de contar para os amigos e parentes. E o Atacama é mais do que isso. O Atacama é desafiador e é bonito demais! Faz qualquer perrengue valer à pena, pode ter certeza.

Assim, a primeira coisa que você precisa saber é que o Atacama não é um local para gente "fresca", daquelas acostumadas com tudo fácil, de mão beijada. Lá, quanto maior a beleza do local, maior a dificuldade. Bom, na verdade, abaixo do sol das 3h da tarde, por exemplo, até para dar uma volta na quadra é difícil. O que separa os aventureiros dos fracos é que estes ficarão o passeio todo reclamando, frustrados, ou até podem desistir, enquanto aqueles seguem em frente e são capazes de sentir a dádiva de estar ali, onde, sei lá, parece a Terra há milhões de anos, ou até outro planeta.

Não é à toa que um dos locais turísticos no Atacama se chama "Vale de Marte". Chama-se assim porque se assemelha muito com o relevo do planeta vermelho. E este é um mirante de onde se pode admirá-lo. Ao fundo, à direita, o vulcão Licancabur, presença marcante na região.


Ao lado do Vale de Marte encontra-se o Vale da Lua, também por sua semelhança.


E se você já foi ao Atacama, e foi de avião, fazendo os passeios com as vans turísticas, que bom, você deve ter visto os geisers, as termas de Puritama, os flamingos, o salar. Mas, sinto-lhe dizer, você com certeza não passou por um dos melhores pontos do local: a épica travessia das cordilheiras dos Andes. Nunca vou me arrepender de ter ido de carro, porque aquele momento ficou e vai ficar para sempre marcado na minha memória. Tanto a ida quanto a volta, mas principalmente a ida, por ter sido a primeira vez.

Flamingos "dançando", num ritual de acasalamento.


Sou fascinado pelos animais. E essa foi a primeira vez que vi flamingos. Não queria ir embora sem vê-los. E, para a minha surpresa, vi bem de perto, na visita à laguna Chaxa.

De Porto Alegre até San Pedro são 2.336 Km. Fizemos em cinco dias. É possível ir em menos tempo, mas nós gostamos de ir parando, de vagar, e conhecendo as localidades pelo caminho. Conhecemos várias cidades e pontos turísticos pela Argentina (o que poderia ficar para outras postagens). Foram rodovias retas e longas, planícies intermináveis, lindo. Mas nada se compara, na minha opinião, à beleza das cordilheiras e à aventura de cruzá-las, principalmente por esse trajeto. Próximo à Salta, começamos a subir, mas de leve. Vai subindo, vai subindo, até que, após Purmamarca, passamos pela  íngreme Cuesta de Lipán, uma parte minhoquenta em que se chega a um pico de 4.170 metros de altitude e depois desce novamente até um platô, que se estende a partir dali por longos quilômetros.

Vencida a Cuesta de Lipán, hora de fazer uma parada para fotografar a vitória e a beleza do lugar.


Depois da Cuesta de Lipán, passamos pelas Salinas Grandes, um salar, algo que nunca tínhamos visto. E depois seguimos por horas em um sol escaldante, em uma reta que não acabava mais. Tudo o que queríamos era uma sombra para fazer uma parada e descansar um pouco. Mas essa seria outra provação do Atacama: não tinha sombra em lugar algum! Nessa planície não tinha uma árvore, nem ao menos cacto. Era tudo uma imensidão plana, castigada pelo sol. Fazia uns 40 graus, o sol "pegando" pelo para-brisa, e, para completar, sofríamos pelo ar rarefeito. E o carro também sofria, pois, quanto menos oxigênio, pior a combustão. Então, ele andava de vagar, com pouca força. A gente perdeu tempo conhecendo os locais pelo caminho e a fronteira com o Chile fecha às 18h, então, imagine que não poderíamos nos permitir fazer mais nenhuma parada, senão teríamos que pousar na fronteira até o dia seguinte, quanto abrisse novamente. Já pensou?


Ao fundo, as Salinas Grandes, onde logo estaríamos. Essas duas fotos eu tirei do paradouro La Pekana, local muito bom para parar, comer umas empanadas e outras delícias. Com certeza uma das melhores empanadas que você vai comer na vida.


Mas, com todas as dificuldades, não conseguíamos acreditar que estávamos fazendo aquela travessia. E deu tudo certo. Conseguimos chegar ao Paso de Jama (fronteira) pouco antes de fechar, e seguimos Chile adentro. E, se as últimas horas em sol escaldante pela Argentina foram desgastantes, da fronteira em diante vimos as imagens mais lindas e espetaculares do passeio. O sol já estava mais baixo, e a temperatura começou a baixar rapidamente.




Antes de começar a descer as cordilheiras até San Pedro, tem um trecho de nova subida, e dessa vez ainda mais alta. Isso após aquele platô. Começamos novamente a passar por entre picos de montanhas, e a maioria com neve, pois chegamos até quase cinco mil metros de altitude, e tudo isso no entardecer. Imagine um céu azul, um ar gélido, por entre montanhas avermelhadas pelo pôr do sol, ou escuras pela sombra. Enquanto isso, nosso carro subindo a vinte por hora, pois estava fraco pela falta de oxigênio. Aquela cena era tão linda, e tão satisfeitos estávamos, que, quando alcançamos o ponto mais alto do trajeto, após tantas dificuldades, tantos dias de viagem, chorávamos e gritávamos de emoção dentro do carro, em comemoração àquela vitória.

Vencendo os picos mais altos. Se ainda tem neve aí, derretendo de vagar, imagine você que a temperatura não passa muio além dos zero graus. Agora, imagine durante a madrugada, com vento.


E esse é justamente o ponto que quero ressaltar. Mais do que um lugar bonito para se conhecer em vida, o Atacama nos mostrou como que a vida é linda, e é uma dádiva mesmo. Num lugar tão inóspito como aquele, em que qualquer organismo encontra dificuldade para sobreviver dia após dia, quem diria que se poderia entrar em contato mais ainda com a própria paixão em viver! Como é bom ter vivido para um dia ver aquelas montanhas, ali, naquele momento maravilhoso! Então, se tem uma vida que vale a pena ser vivida é a de um viajante. E nós podemos dizer que temos muita sorte e que fizemos boas escolhas na vida, para poder ter estado ali naquele momento tão marcante.

Legal, não é? Só que eu nem contei ainda como foi a volta, de San Pedro até o alto das cordilheiras. Na ida, após o ápice da subida, descemos dos quase 5.000 metros até 2.400 praticamente em linha reta, no escuro. Para não desgastar os freios de nosso carro, que tem duas toneladas e meia, usei bastante o freio motor para auxiliar. E o motor gritava lá na frente, enquanto, de tempos em tempos, passava uma placa indicando que, caso faltasse freio, poderia jogar o carro em uma "saída de emergência". Aquilo era quase uma ameaça! Mas daí vinha a pergunta: descer, a gravidade ajuda, mas e pra subir aquilo tudo de volta?

Essa foto tirei na subida de volta. Consegui pegar as lhamas, acima, e as placas de uma das saídas de emergência que vimos na ida, pelo retrovisor. Clique na imagem e aproxime, para ler o que está escrito.
Se tivéssemos subido com a marcha normal, certamente teríamos fervido o motor. É verdade. Até passamos por um caminhão com motor fervido pelo caminho. Mas ainda bem que nosso carro tem reduzida e nós, calma. Engatamos a reduzida e subimos bem de vagar, olhando a paisagem. E que paisagem!

Lhamas à beira da estrada. A da direita parece que também admira o Licancabur.




O icônico vulcão Licancabur - ao lado de seu "irmão" decapitado, segundo as lendas locais contam - nos acompanhou durante toda a subida de volta. Parece que estava ali, nos dando força. Enquanto isso, o som do carro tocava músicas da nossa playlist "De carro pela América", do Spotify, que tínhamos feito especialmente para aquela viagem. E aquilo foi tão marcante que até hoje, quando escutamos as músicas que tocavam naquele momento, parece que somos transportados para aquele lugar mágico, aos pés do vulcão, subindo lentamente.

Aqui ainda estávamos na subida de volta. Que paisagem! Stephanie estava maravilhada.


E é com essa imagem mental que nos despedimos de mais esta postagem do De carro pela América. Espero que todos também possam encontrar lugares mágicos em passeios fantásticos como esse que fizemos. Isso que nem me ative a contar sobre os pontos mais turísticos. Fomos em quase todos, são maravilhosos. Mas isso você lê em diversos sites pela internet, não é mesmo? Enfim, espero que você pense na possibilidade de ir de carro ao Atacama.  É outra coisa. Saia da zona de conforto, faça uma aventura, viva! A vida te chama. Um abraço e boas viagens!


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10 dicas para um acampamento de sucesso

Entrar em contato com a natureza é o que cada vez mais pessoas têm buscado, principalmente para fugir do estresse da vida em cidades grandes. Mas muitos ainda associam o campismo com “passar trabalho”, como se fosse algo muito desconfortável. O que essas pessoas não sabem é que é tudo uma questão de desenvolver os conhecimentos adequados e ter os itens mais apropriados para cada função. Acampar é uma arte, poderíamos dizer. Por isso, hoje quero te dar algumas dicas avançadas, daquelas que só os campistas experientes desenvolvem, e ainda falar sobre alguns itens essenciais que você poderia investir para não passar sufoco. Enfim, se você não souber disso, a probabilidade de passar “perrengue” será alta.

Imagem de Brahmsee por Pixabay.

1) PROTEÇÕES CONTRA INSETOS


Nem todo camping tem mosquitos, mas é bom você estar sempre preparado para um ataque surpresa. Normalmente, eles costumam atacar ao fim da tarde com mais voracidade, e param (ou diminuem bastante) ao anoitecer. Nesse momento, um repelente pode fazer a diferença na sua vida. Normalmente quem não costuma acampar pensa que “um mosquito ou outro nem incomoda” ou que “não sou do tipo que os mosquitos preferem”. Porém, essas pessoas não têm ideia do nível que um ataque de mosquitos pode chegar. Depende muito do local, do clima etc. Para evitar incômodos, leve repelente. Existem também produtos para afugentar insetos para uso ao ar livre. Costumo aplicar ao redor da barraca. Em um momento de ataque, você também pode cobrir áreas vulneráveis do corpo, usando roupas de manga comprida, meias de cano alto. Mas não precisa exagerar. Se não estiver “sob ataque”, não precisa se defender. Então, apenas leve os produtos e saiba como agir. Ah, e não esqueça de deixar a barraca sempre fechada. Entre e saia o mínimo possível, evitando o incômodo de ter alguma companhia durante a noite.


2) USO DAS CORDAS


Cordas extras nunca serão demais. Você poderá usar como varal, para amarrar uma rede, para ajudar na fixação de lonas e barracas...

Leve de 10 a 20 metros de corda grossa, que suporte peso. Essa poderá ser usada para diversas finalidades importantes. Por exemplo, você pode amarrar entre uma árvore e outra bem forte e colocar uma lona por cima, no formato de uma cabana. Se fizer isso, pode usar a mesma corda para ir até outra árvore, servindo de varal (ou seja, nem precisa cortar a corda). Se atolar o carro, essa corda também poderia ser usada para desatolagem, se tiver outro carro para puxar. Pode usá-la para prender uma rede entre duas árvores também. Como é uma corda grossa, prefira uma não tão pesada, embora forte. Eu uso uma de nylon. 

Leve também uma boa metragem de corda mais fina. Você poderá usá-la para ajudar na fixação da barraca, caso precise amarrar espeques mais distantes, ou como fixações extras, entre a barraca e galhos de árvore. Para uma lona, então, será certamente usada, pois muitas vezes as amarrações originais não alcançam onde você gostaria. Então, você usa essas cordas para fixá-la a locais mais distantes.


3) ESPEQUES E FIXAÇÃO DA BARRACA


Muitos inexperientes acreditam que podem confiar nos espeques que vêm de fábrica com a barraca. E estes normalmente são ferrinhos finos, lisos e que entortam facilmente. São utilizáveis, sim. Mas, em situações de vento forte, você poderá precisar de algo mais eficiente. Eu tenho quatro espeques que comprei avulsos em uma loja de camping que são ferros mais compridos, grossos e com ranhuras, parecidas com as de ferro de construção. Se não me engano paguei 4 reais cada. Estes eu costumo usar para locais que precisam ficar mais seguros, como os quatro cantos de uma lona, ou os quatro cantos da barraca. Nunca foram arrancados pelo vento, são super seguros.

Além disso, também é bastante eficiente fazer amarrações em galhos de árvore, às vezes até em pedras pesadas. Tudo depende do que estiver à disposição e for melhor. Outra dica é cravar o espeque em uma direção perpendicular à força que o irá puxar. Imagine sempre as piores situações de vento com antecedência. Ou seja, não espere ventar para sair em desespero segurando tudo sem saber o que fazer.


4) BARRACA IMPERMEÁVEL


Este foi nosso acampamento no Ecological Camping Punta Rubia, no Uruguay. Veja a postagem Campings do Uruguai, para mais informações do local. Usei uma corda para fazer de varal, mas não me preocupei com lona sobre a barraca, pois já acampamos outras vezes com esta e sabemos o quando é boa. E eu também já sabia que a previsão do tempo era boa. Essa uma Nautika Cherokee para 6/7 pessoas. Pode chover à vontade que não entra água.


Em uma barraca, queremos dormir tranquilos, escutando o barulho das folhas, do vento... Uma maravilha! Mas a pior coisa que pode acontecer é chover e começar a entrar água, pingar em cima, alagar. Seria terrível.

Por isso, o melhor de tudo é se prevenir e comprar uma boa barraca, com boa impermeabilização e costuras seladas. As mais seguras têm duas lonas, a externa e a interna. A interna é menos impermeável, mas serve para deixar o ar circular melhor e evitar que a umidade da nossa respiração se condense no teto e escorra, pingue. Já a lona externa tem mais proteção: é mais impermeável e talvez tenha proteção UV. Cores claras ajudam a refletir os raios solares e evitar o aquecimento demasiado em dias de sol.

Uma boa que temos usado agora é a Quechua Arpenaz 2 Fresh and Black. Veja a postagem Resenha: barraca Quechua Arpenaz 2 Fresh and Black para mais informações. É para apenas duas pessoas, mas compramos para armá-la em cima do bagageiro de teto do carro. Veja esse projeto na postagem Uma barraca iglu sobre o bagageiro de teto.

Enfim, não adianta comprar aquelas barraquinhas que vendem em qualquer supermercado. Quer contar com a sorte? Melhor não. A barraca é o item principal em um acampamento, então, invista em algo bom. Se você tiver uma boa noite de sono, terá energia para aproveitar os passeios do dia seguinte. Beleza?

Para mais informações sobre tipos de barraca e outras formas para passar a noite, dê uma lida na postagem Onde dormir em acampamentos de viagens longas?


5) USO DAS LONAS DE COBERTURA


Tem gente que gosta muito de lona. Os caras colocam uma por baixo da barraca e outra por cima bem apertada. Por quê? A pessoa acha que assim está mais protegida da chuva, mas depende. Se fosse bom assim, as barracas já viriam de fábrica cobertas por uma lona totalmente impermeável. Mas não. As lonas das barracas são feitas para deixarem o ar circular. Primeiro, porque precisamos respirar e, segundo, porque o vapor de água produzido por nossa respiração precisa sair. Então, o envelopamento da barraca irá fazer os vapores se condensarem no teto da barraca, e daí sim vai começar a gotejar. Alguns irão achar que está pingando da chuva, mas é o próprio vapor da respiração mesmo.

Repito, compre uma boa barraca, bem impermeável, e nunca mais se preocupe com esses envelopamentos extras.

Mas, se quiser colocar uma lona por cima, coloque com certa distância. Não impeça o vento de passar. Deixe o vento passar livremente. Para evitar o frio, cubra-se, vista-se bem, só isso. Mas deixe o vento circular. E ele não é muito, pois o tecido da barraca segura bastante, não é como estar ao ar livre.

Além disso, para prender as extremidades, use algo flexível. Pode amarrar em um galho de árvore flexível (e resistente). Ou use borrachas, ou elásticos. E compre uma boa lona, resistente, com ilhós para amarração. Eu uso uma lona de caminhão. Não é das mais grossas, nem das maiores, mas é boa, de acordo com minhas necessidades. É preciso escolher algo resistente, mas pensando também no peso e no tamanho que ocupará no porta-malas. Mas invista em algo bom, para depois não ter que se preocupar com lona rasgando, voando com o vento...


6) FOGAREIRO RESISTENTE À BRISA




Outro investimento que considero importante é um bom fogareiro. Nós no momento temos dois e os escolhemos com uma tecnologia que dificilmente apaga a chama com o vento. Ora, você provavelmente estará ao ar livre, com pelo menos uma leve brisa correndo. E, para uma boca de fogão normal, qualquer vento já apaga ou diminui a capacidade de aquecimento, dificultando muito a sua vida. Então, por que passar sufoco? Compra logo um fogareiro um pouco melhor. O nosso é cerâmico. A chama aquece uma tela cerâmica, deixando-a incandescente. Assim, essa tela incandescente mantém a chama sempre acesa. Só se estiver ventando muito mesmo, para dar algo errado.


7) LOCAL ADEQUADO PARA A BARRACA


(Photo by Wilson Ye on Unsplash). Já escrevi uma postagem específica sobre a escolha do local. Chame-se Qual local escolher para colocar a barraca? Dê uma lida para ficar sabendo de mais detalhes. Mas vou resumir aqui os principais pontos.

A natureza é bonita, mas pode ser perigosa também. De uma hora para outra pode armar um temporal e tudo mudar. E você estará exposto e desprotegido, dentro de sua barraca. A árvore ao lado pode não resistir aos ventos e deixar um galho cair, ou uma fruta pesada. Um rio pode subir rapidamente, e tem uns que sobem até mais de dez metros. Então, ao armar sua barraca, você tem que pensar em qual local é mais seguro. Por último, pensar nas comodidades, no conforto. Mas tem muito mais aí para considerar. Clique no link da postagem, na legenda da foto acima, e leia mais a respeito, pois é muito importante que você domine todo esse conhecimento. O local da barraca será determinante para seu acampamento ser um sucesso.


8) GELO DA CAIXA TÉRMICA

Para quem leva uma caixa térmica com gelo, como a maioria dos campistas, é bom que saiba disto. É algo simples, mas ajuda muito. É o seguinte.

Quando você compra um saco de gelo e o põe na caixa térmica com os alimentos, o que ocorre no dia seguinte? Isso... Você acorda, vai fazer café e, quando abre a caixa, vê que o gelo já derreteu parcialmente e os alimentos estão imersos em água, boiando. Mesmo potes que pareciam bem fechados, de alguma maneira permitiram que a água entrasse. Catástrofe, né? Acontece.

Bom, existem algumas soluções para isso. Mas a melhor que achamos foi a seguinte. Um dia antes da viagem, colocamos garrafinhas de água mineral no congelador. No dia da viagem, logo antes de sair, colocamos elas na caixa junto com comidas ou bebidas. Não gela tanto quanto se colocasse direto no gelo, mas deixa fresco o suficiente para manter os alimentos e bebidas frescos. Outro benefício é que, conforme o gelo vai derretendo, você pode ir bebendo. Se fosse gelo daqueles de saco comprado, seria água colocada fora. Você teria que ir escorrendo. Mas, como é água mineral, você bebe, e bem gelada.

Cuide para não deixar a caixa ao sol, ou não ficar abrindo a tampa toda hora. E, se quiser gelar mais, poderá também abrir as garrafinhas com um canivete e deixar o gelo em contato direto. É uma escolha. Se for fazer isso, pelo menos faça com água da torneira. Deixe as minerais para beber. Bom, infelizmente isso só serve para os primeiros dois dias de uma viagem. Nos outros você teria que comprar sacos de gelo mesmo.


9) COLCHÃO DE AR


Adoramos dormir na nossa barraca, ainda mais em cima do carro. A visão é melhor ainda. Olhando essa foto, consigo sentir o conforto de nosso colchão de ar. Ah, na postagem Nosso projeto de bagageiro de teto para barraca iglu dou a dica do colchão que usamos aí na foto, e que é o mais estreito, que cabe nesta barraca Arpenaz 2.


Sou adepto do colchão de ar. Já me acostumei e às vezes até penso que é mais confortável do que o colchão de casa. Talvez porque em casa não estou em meio a natureza...? Enfim. Mas uma dica para quem não tem o costume de acampar e vai dormir em colchão de ar é: não infle totalmente! Se você encher demais, ele fica duro, você sente as dobras do colchão, fica ruim. O segredo é o seguinte. Você infla até o ponto em que consegue deitar de lado sem sentir o piso nos ombros e quadris. Ficou sem tocar o chão, infla só mais um pouco e está pronto.

Para inflar, pode ser cansativo. Mas o segredo é bombear com calma, dar pausas para descansar, ou revezar com alguém. Mas você também poderia pensar em comprar um colchão que dê menos trabalho, que demore menos para inflar, ou investir em uma bomba elétrica. Nós por enquanto usamos uma bomba manual, mas temos um colchão relativamente fácil de encher, pois não é tão grande e tem um sistema que facilita.


10) ISOLANTES TÉRMICOS PARA O FRIO

Para acampar no frio é preciso saber de técnicas adequadas. Você tem que saber que não é igual a dormir em casa. O ar gelado entra por todos os lados, até por baixo. Sim, o colchão de ar fica gelado e dói até a alma.  "Frio de renguear cusco", como dizemos por aqui. Assim, quem não está preparado, com os conhecimentos certos, costuma se ferrar e nunca mais acampar no frio. Gente, calma!

Sabendo que o colchão de ar será uma fonte de ar frio, você precisará isolar o contato entre ele o chão frio, e entre ele e você. Em baixo do colchão, pode colocar uma manta de borracha ou qualquer isolante térmico. Entre o colchão e você, coloque um cobertor grosso. E pronto! Fica até mais macio e confortável.

Outra coisa: não pense que você irá se vestir como em casa, de bermuda e manga curta. Não. Leve manga comprida, calça comprida, moletom. Prepara-se com roupas pesadas, e se cubra com bons cobertores. Se ficar quente demais, é só tirar algo. Mas, se ficar com frio, você sabe que tem uma boa proteção extra. O que NÃO PODE é passar a noite toda com frio e não tomar providências. E, de novo, não bloqueie a passagem do ar pela barraca. Deixe o ar correr, para evitar a formação de água no teto, como falei antes.

Bom, agora você já sabe o que fazer. Passa frio se quiser. Mas te garanto: é muito bom acampar no frio! Já acampamos à zero graus aqui no Rio Grande do Sul. Só faltou a neve, mas quem sabe um dia.


Bom, meus amigos, depois de todas essas dicas, a única coisa que você ainda precisará é estar junto de pessoas que você gosta. Daí sim, fechou todas, seu acampamento será sucesso garantido! Compartilhe essa postagem com seus amigos, e quem sabe assim você os convence a ir acampar contigo da próxima vez. Abraço e até a próxima!


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Resenha: Land Rover Discovery 300tdi

Um carro movido pela paixão, parte de uma comunidade de outros apaixonados pela marca Land Rover e tudo o que representa: liberdade, aventura, natureza, overlanding, campismo. A Discovery é capaz de te trazer tudo isso. E eu, com esta resenha, quero contar-lhes o que pensamos após um ano de uso e cerca de 15 mil Km rodados pelo Uruguai, Argentina e Chile.


Nossa Discovery 1996 motor 300tdi.

Um pouco da história da Discovery


Basicamente, a Discovery surgiu ao final da década de 80, como uma terceira linha da marca Land Rover, para complementar os já existentes modelos Defender e Range Rover. O primeiro, um utilitário robusto, ícone da marca, que antes era chamado apenas de “Land Rover” (séries I, II e III); o segundo, um carro com capacidades não muito distantes do primeiro, mas com perfil voltado para o conforto, o luxo. Criaram, então, a Discovery, um veículo com luxo intermediário (na época, o 200tdi), duas portas, sete lugares; um carro para levar a família para passeios de aventura 4x4, o que foi um conceito inovador na época. Alguns anos depois, quando o motor foi alterado para o 300tdi, o interior também foi mudado bastante, mas ainda guardando muitos aspectos que lembram o anterior. Enfim, meu objetivo aqui não é focar na história do veículo, mas achei bom começar por aí, de forma bem resumida. Para quem não conhece muito do carro, ajuda a se situar um pouco. Hoje, a Discovery está na quinta geração, muito mais moderna e bastante diferente da primeira.

Nossa Land Rover Discovery nos levando para mais um passeio. Stephanie na janela.



Por que escolhemos comprar uma Discovery 300tdi?


Na verdade no início não conhecíamos o carro. Nossa ideia era comprar um veículo diesel para fazer viagens longas, e uma das opções que conhecíamos era a Defender 300tdi. Já tínhamos lido bastante sobre esse veículo, sobre o motor. E éramos (ainda somos) apaixonados pelas Defenders, assim como também somos, por exemplo, pela Toyota Bandeirante, outra opção na época. Se querem saber mais detalhes, pontos positivos e negativos de cada um desses carros, podem ler a postagem Qual carro comprar para viagens longas? Mas, resumindo, chegou um momento em que descobri que algumas Discoverys levavam o mesmo motor 300tdi das Defenders. Mas as Discos são mais raras, por isso passavam mais despercebidas. Enquanto eu passava horas vendo anúncios de Defenders, a maioria 300tdi, em mais de um site de venda, as Discos 1 se contavam nos dedos, as Disco 2 também... E teve um anúncio que estava bem “fraco”, era só uma foto do carro por fora com alguma descrição. Eu tinha gostado, mas estava olhando as Defenders. Fiz visita a todas Defenders da região. E só uma a gente gostou, mas o preço estava muito alto, mais do que poderíamos. Então, após esgotar as possibilidades, mostrei para a Stephanie: “Olha essa Disco aqui, quem sabe a gente marca uma visita, para ver como é?” Ela topou. E quando a vimos por dentro, a conservação, o estado do motor, foi amor à primeira vista!

Foto do interior da nossa Discovery tirada com uma GoPro.



Especificações


Vou resumir bem a minha: Land Rover Discovery série 1 motor 300tdi diesel ano e modelo 1996 exterior verde, interior caramelo, suspensão com lift por calço de 2 polegadas, pneus 265/70R16 (mais largos e com maior diâmetro que os originais, que eram 235/70R16).



Após um ano de uso, o que pensamos da nossa Disco?


A maioria dos entusiastas diria “é uma lenda, carro fantástico!”, mas eu aqui quero me deter nos aspectos mais objetivos, pois entendo que você deve estar buscando a real, os lados negativos também, e não só os positivos. Vamos lá...


1) Design

A primeira impressão que se tem é o visual. É um carro alto, possante, robusto. É tudo isso mesmo. Os maiores carros da atualidade, como a Hilux, a Ranger, a SW4, não conseguem intimidar, mas talvez fiquem no páreo... Não é clássico, como uma Defender, mas, para quem gosta de raridade, este é, e cada vez mais será. Daqueles que as pessoas olham e ficam de queixo caído. Quem conhece, pensa “Nossa, uma Disco 1!” Quem não conhece, pensa “Nossa, que carro é esse?”


2) Interior

A segunda impressão é o interior. Embora seja um carro antigo, é algo muito bem trabalhado. Hoje em dia você entra nos carros e tudo é de plástico, tudo parece que vai se desmontar com os buracos da cidade. Na Disco 1, pelo menos na minha, que é da cor caramelo, você sente que é um carro de luxo, e um luxo de vanguarda, entende? Não é um carro que se baseou em outros por aí. Ele é único. E é funcional também, tem espaço para tudo e até sobra.


3) Conforto

Outra coisa é o conforto. Já dirigi um Defender. Tem muita gente que acha o defender desconfortável, porque o banco é muito rente à porta, bla bla bla. Eu até não sou desses, não acho dos piores. Mas, sem dúvida, a Disco é bem mais confortável. O banco acomoda, tem espaço certinho para as pernas, a visão pelos vidros é perfeita. Claro, não sou daqueles que anda no carro com o banco quase deitado, tentando uma “esportividade forçada”. Esses eu não sei se gostariam, mas aí é outro estilo. Na Disco é na medida certa, acomoda como tem que ser.


4) Manobra

E para estacionar um carro grandalhão como ela, é difícil? Que nada! A Disco é quadradona e cheia de vidros. Você tem uma ótima ideia da distância das coisas, é só se acostumar um pouco e ter cuidado.


5) Manutenções

A mecânica é simples mesmo. Eu sou da opinião de que quanto menos complexidades, menor a probabilidade de quebrar algo, então, mais barata a manutenção. Tem que ter cuidado ao escolher um mecânico, pois há os careiros e os sacanas. Fato é que não é preciso levar a um especialista em Land Rover para quase nada, só se quebrar algo muito específico mesmo. Eu aprendi a fazer todas as manutenções básicas em casa: troca do filtro de ar, do filtro de diesel, do óleo e filtro de óleo (veja postagem Como trocar óleo e filtro de óleo do próprio carro? ou o vídeo que fiz no YouTube com o mesmo nome), engraxo cardã e munhões. Todos esses filtros ou substâncias encontrei para vender em locais comuns, perto de casa, às vezes até nos postos. Tem também pelo Mercado Livre, em lojas especializadas de LR. Pago bem barato e não preciso nem gastar com mão de obra. A facilidade é que o carro é alto do chão, então, não preciso elevar ele para mexer. Mas quem quer pagar para fazer, é igual a qualquer carro, é só cuidar para não ser passado para trás. Quanto ao que é mais complexo, levo em uma oficina especializada em Land Rover, mas tive sorte e nunca paguei caro por nada. A única exigência é comprar um carro bem cuidado, pois é claro que um carro detonado iria dar problema, quebrar toda hora.


6) Suspensão

Não posso dizer por todas, mas muitas camionetas modernas têm uma péssima suspensão, dura, trepidante. É normal, pois um veículo alto pode acabar tombando nas curvas se tiver suspensão macia demais. Contudo, a Discovery não tem tanto esse problema. Isso porque o chassis dela é um par de viga de aço como de um arranha-céu, hehehe. Sim, o peso do chassis acaba baixando o centro de gravidade, permitindo que a suspensão possa ficar mais macia. Não é como um sedã de luxo, mas bem boa. Andei em um Renegade e em um Compass, e nem se compara, a Disco é muito melhor! Ainda assim, os proprietários da Disco 1 costumam alterar, para diversas finalidades. Pode colocar molas mais macias, maiores, amortecedores de primeira linha, e vai ficar um espetáculo. E é tudo simples, custa barato, um preço justo, na verdade. Não tem aquela frescura de suspensão a ar, amortecedores magnéticos etc.



7) Capacidade de carga

O porta malas não é muito grande não. Para o dia a dia, é bem suficiente, não sinto falta. Mas, para viajar, poderia ser um pouco maior. Acaba não me incomodando, na verdade, porque somos só eu e a Stephanie no carro, então usamos o espaço dos bancos traseiros. Estes, inclusive, podem ser rebatidos totalmente, de forma que a camionete fica como uma pick-up. Às vezes fazemos isso, mas preferimos deixar o banco normal. Além disso, como normalmente se usa bagageiro de teto, daí sim, se pode colocar muita coisa em cima. A gente não usa o bagageiro para carga, pois o portão de casa é baixo, e o ideal mesmo é aproveitar o espaço interno sempre que possível. Mas, se você quer viajar em um grupo, daí sim, podem ir mais pessoas dentro do carro e levar as coisas em cima, no bagageiro. O carro é forte. Pode até ser lento, mas leva o que for necessário sem aumentar muito o consumo.

Nesta configuração, para ir ao Uruguai, nós rebatemos os bancos traseiros. Por isso, vejam na foto, a caminhonete ficou com um espaço como uma pick-up. Esse toldo que cobre o porta malas, inclusive, pode ser retirado, se houver necessidade de empilhar mais coisas. Ao lado direito da foto, perto da lâmpada do porta malas, vocês podem ver o banco. Tem um de cada lado. Eles também podem ser removidos, para maior capacidade de carga. Eu nunca quis ter esse trabalho, nem senti necessidade. Gosto deles. Um dia estávamos em seis e, ao invés de irem todos em dois carros, fomos apenas no meu, utilizando um dos bancos do porta malas.


8) Motor

Acho que a maior vantagem do motor 300tdi, além de ser diesel, é claro, é o fato de ser simples, sem muita frescura. De novo, quanto menos detalhes, menos chance de dar problema. Quatro pistões, também, acho ideal. Esses carros modernos começaram a vir com três pistões, mas isso é ruim pela estabilidade das vibrações. Um motor de oito pistões, V8, seria algo bem estável, seria um motor invejável, potente e com som magnífico. Porém, V6 ou V8, é mais consumo, pois normalmente tem maior cilindrada, são feitos para ser muito potentes. No caso do 300tdi, um 4 pistões em linha, 2.5 litros, é bem basicão mesmo. O consumo dele gira em torno de 9.5 a 11.5. Em média, dá para calcular sempre como 10,5 Km/l. Depende do peso que você for carregar, se está subindo a serra, ou descendo, de muitos fatores, inclusive da regulagem (bomba, turbina...).

Por baixo do capô, esta maravilha. Para quem não entende, é muito confuso esse monte de canos e peças. Mas eu fui aprendendo com o tempo. Hoje saberia explicar a funcionalidade de quase todas essas partes.

O meu veículo, na época, foi importado. Então, o motor não é fabricado no Brasil, como outras Discoverys ou Defender de anos posteriores.

É um motor com turbo e intercooler, o que é muito bom, em comparação a outros veículos diesel da época. O turbo e o intercooler acrescentam potência. E o som do turbo é bonito de se escutar. Quando o giro aumenta e a turbina sopra forte, você sente que a potência aumenta bastante.

Por ser um motor diesel, o bom é que é um motor de forte estrutura e longa durabilidade, pelo menos quando é bem cuidado.

Agora, o lado ruim desse motor. Ele costuma ter problema com sobreaquecimento. Muitos reclamam disso. A gente nunca teve problema de a água ferver, mas temos um marcador de temperatura do cabeçote e vamos controlando. Não sei ao certo qual a temperatura exata que eu deveria ter receio de ultrapassar, mas, por enquanto, quando alcança a marca de 81 graus, eu começo a retirar o pé do acelerador, desligar o ar condicionado. Nunca deixei passei dos 91 graus na temperatura do cabeçote. Mas o próximo passo é instalar um sensor de temperatura de água bem preciso, que me mostre com exatidão a temperatura da água, daí sim não tem erro, dá para cuidar melhor. Esse então é um ponto negativo, ter que ficar sempre atento à temperatura da água, não forçar demais o motor. Sempre que a temperatura do dia está muito elevada, é uma preocupação.

Outro lado ruim, na minha opinião, é que o motor poderia ser um pouco mais forte. Ele tem 111HP apenas. Para um veículo de duas toneladas e meia, não é muito. Ele vai de vagar nas subidas, sim. Por esse motivo tem muito landeiro que refaz o motor para 2.8 litros, ou troca a turbina por outro modelo, ou coloca um intercooler maior. Ou seja, ninguém está plenamente satisfeito. Mas, pelo menos tem solução. Eu não penso em transformar em 2.8. Em geral se faz isso quando o motor precisa de retificação, daí já se aproveita e modifica. Mas o próximo upgrade nesse sentido será colocar um intercooler duplo, talvez. Se bem que eu dirijo de vagar, então não me incomodo tanto com isso.

Outro problema do motor é que, pelo fato de não ter injeção eletrônica (o que, já disse, é também uma vantagem), quando o ar fica rarefeito, como quando subimos as cordilheiras dos andes, o motor enfraquece muito, pois entra menos oxigênio para a combustão e fica uma mistura rica em diesel, sai fumaça preta, o carro consome mais. A 5 mil metros de altitude, então, o carro não conseguia passar dos 35 Km/h, por aí. Bom, na verdade, se eu enfiasse o pé no fundo, até andaria um pouco mais, porém com alto consumo, e com a temperatura do cabeçote indo às alturas. Então, a gente tinha que desligar o ar condicionado e andar bem de vagar. Na volta de San Pedro de Atacama, então, tinha uma subida sem parar por uns 30min. Mas aí eu descobri o segredo: engatei a reduzida. Com a marcha em quinta da reduzida o carro foi, de vagar, ainda, mas sem problema nenhum de sobreaquecimento. Ou seja, em altitude, o jeito é usar a reduzida para algumas subidas, para evitar o sobreaquecimento.


9) Tração 4x4

O bom desse carro, e de todas as Land Rovers, é que a tração 4x4 é integral, graças ao diferencial central. A maioria dos carros, até os modernos, não possuem isso, não sei por quê. Só podem ligar o 4x4 quando a superfície de contato for de baixa aderência (lama, areia). Em asfalto, por exemplo, não podem. Já a Discovery está sempre tracionada, e isso é ótimo, dá mais segurança em curvas, gasta pneus de forma mais regular, não patina facilmente e está sempre pronta para enfrentar condições difíceis.


10) Freios

Como eu não sou de correr na cidade, não sinto falta de freios mais potentes. A Disco tem freio à disco nas quatro rodas, olha que legal que ficou a frase, hehe. Acho que quem deixa o carro muito pesado, com para-choques de impulsão, barraca de teto etc, daí sim, pode ter mais dificuldade para frear, pois, quanto mais peso, maior a inércia, mais difícil de parar, ainda mais aquelas pessoas que aceleram e freiam em cima. Para mim, estão bons assim como são. Mas, a maioria dos usuários acaba fazendo upgrades, colocam hidrobooster, por exemplo, trocam cilindro mestre, essas coisas. Talvez um dia eu faça.

Ao fundo, o vulcão Licancabur, próximo a San Pedro de Atacama.



11) Lataria

A lataria é quase toda em alumínio, como as Defenders. Você bate com o dedo e sente que é forte, e não uma latinha de cerveja como os veículos modernos. A Discovery é daqueles carros que quando bate, o outro se estraçalha e ela só dá um arranhãozinho, hehe. Bom, melhor não tentar, porque as peças de acabamento, essas sim são difíceis de conseguir.

Cordilheiras dos Andes, Chile.


12) Seguro

Tem como fazer seguro sim, mesmo ela tendo mais de vinte anos e sendo um veículo Off-Road. Mas, sinceramente, não vale a pena. A vez em que fiz uma cotação, sairia mais de quatro mil reais por ano. Então, é inviável. Em poucos anos, economizando, você poderia comprar uma Discovery “nova”. Digo, pelo valor atual do carro, é melhor guardar esse dinheiro para, no dia em que acontecer algum sinistro, você ter como consertar, ou pelo menos comprar outra... E eu, com meus 15 anos de motorista, nunca precisei acionar o seguro, lembrando que só vale a pena acionar o seguro quando o valor do conserto ultrapassar o valor da franquia. Então, na maioria dos sinistros, você de qualquer forma paga do seu bolso. Sei lá, tudo na vida envolve certo risco. Eu assumo o meu, e faço o possível para que o risco seja o menor possível, sendo cauteloso e dirigindo pouco e de vagar. Invisto em outras formas de segurança, evito estacionar na rua, deixar coisas dentro, essas coisas. É uma questão de probabilidade.


13) Valorização

Ao longo dos anos, é normal que o veículo vá perdendo seu valor. O preço vai caindo. Porém, um dia alcança um patamar e de lá não cai mais. A Disco 1 já chegou aí. A partir de agora, as bem conservadas vão ficando cada vez mais raras e o preço provavelmente irá aumentar, acredito que acima da inflação. É só você olhar quanto custa os veículos mais antigos, quando bem conservados. Quanto mais raro, mais original e mais conservado, maior o preço. Claro, para conservar bem, tem um custo. Mas, se você ama o carro, isso não é um peso, é um investimento na felicidade. A manutenção é barata mesmo, mas eu tenho gastado em upgrades. Dá prazer planejar e comprar algo novo para o carro. O que eu tenho certeza é que hoje eu venderia ele por mais do que paguei, com certeza. Muito diferente é quando se compra uma camionete nova. Você compra por 200 mil reais, ou mais, e nunca mais vende por esse preço. A manutenção dessas camionetes novas é cara, ainda mais porque carro novo sempre se quer levar em autorizada, para não perder a garantia. Só que na autorizada eles te tiram o couro!


Bom, gente, acho que é isso. Se eu lembrar de algo mais, acrescento depois. E, se você tem esse carro e quer compartilhar sua opinião, fique à vontade para comentar, aqui em baixo. Acho que me alonguei demais até, mas, de fato, tinha muito a dizer. Obrigado por ler acompanhar nossas postagens! E até a próxima!

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Uma barraca iglu sobre o bagageiro de teto

Boa tarde, meus amigos! Temos o prazer de apresentar nosso projeto, já testado e aprovado por várias vezes: uma barraca iglu comum sobre o bagageiro de teto! Não fui o primeiro a fazer isso, e espero que, com esta postagem, mais pessoas também possam fazer.

Essa foto foi de um acampamento que fizemos no Brasil Raft Park, no município de Três Coroas. A área para camping ficava mais a frente, e era em um terreno inclinado, com muitas árvores e folhas pelo chão. Não gostamos do local indicado. Mas que bom que, com essa nossa barraca, podemos dormir em qualquer lugar onde o carro puder ficar estacionado.


Tudo ficou pronto lá por agosto deste ano (2019), pouco antes da nossa viagem para o Atacama, onde pudemos acampar sobre o carro diversas vezes ao longo do trajeto de 17 dias até o Chile, passando pela Argentina, em camping e em posto de combustível. Depois, ainda fizemos mais uma viagem para a serra, aqui perto, dormindo mais duas noites em dois campings diferentes. Assim, podemos agora falar com mais propriedade sobre as vantagens (e desvantagens) desse projeto.

Para você que está pensando em comprar uma daquelas barracas tradicionais, que custam mais de cinco mil reais (fora o bagageiro de teto), pare, leia e repense. Estamos aqui falando de um custo de menos de quinhentos reais (preço da barraca iglu, mais o colchão de ar e um piso de EVA). Ou seja, pelo menos 10x menos. E COM MAIS VANTAGENS, MAIS BENEFÍCIOS!

Land Rover Discovery 1 com barraca comum sobre o teto do carro.
Sabe o que é interessante também? Você pode movimentar o carro sem desarmar a barraca, coisa que você não faria com aquelas barracas automotivas típicas de 6 mil reais, pois elas ficam apoiadas no chão pela escadinha. No nosso caso, se eu achar que o local não ficou bom, ligo o carro e saio andando até achar um melhor. Uma vez a Stephanie até resolveu ficar dentro da barraca enquanto eu movia o carro.


Já escrevi anteriormente uma postagem aqui sobre as vantagens e desvantagens de diversas formas de acampamento para viagens longas (veja aqui: Onde dormir em acampamentos de viagens longas?). A quinta possibilidade que discuti na época era colocar uma barraca comum sobre o bagageiro de teto, lembra? Naquele tempo, eu ainda achava que seria preciso montar um piso em chapa de metal. Mas me preocupava que o piso poderia ficar abaulado e acumulando água. Assim, descobri outra possibilidade, ainda melhor: chapa expandida.



E, para não ficar desconfortável, e não tivesse o risco de rasgar o piso da barraca, a solução foi comprar um piso de EVA tipo tatame, montado em oito partes.

Acredito que a dúvida que algumas pessoas podem ter é se não ficaria muito complicado para montar essa iglu em cima do carro. A minha resposta é: não necessariamente. A dica é você comprar uma iglu que seja de fácil montagem, além de, é claro, servir corretamente em cima do bagageiro. Por isso, compramos uma iglu Quechua Arpenaz 2 Fresh and Black. Fizemos até uma postagem anteriormente falando sobre ela, incluindo um vídeo da montagem. Veja clicando em Resenha: barraca Quechua Arpenaz 2 Fresh and Black. Não é a única opção. Mas, perceba que esta barraca é pequena, tem apenas duas varetas, e não precisa que se passem as varetas por dentro da lona. É só clipar uma coisa na outra. Portanto, é um modelo de fácil montagem.

Stephanie inflando o colchão de ar. Vejam como a posição para inflar fica confortável. Se fosse sobre o chão, seria preciso ficar abaixado, ou de joelhos.


Mas agora vou explicar como é o processo de montagem de tudo, não só da barraca. Vejam:


PASSO A PASSO PARA MONTAR ACAMPAMENTO


1 - Primeiro estaciono o carro em um local plano, ou o mais próximo a isso.

2 - Depois, subo na traseira do carro com os pisos e começo a montar as oito peças do tatame. As bordas eu colei com cola instantânea, para não ficarem caindo. É muito fácil mesmo. Não preciso nem subir no bagageiro. Fico apenas em pé, sobre o para-choque traseiro.

3 - Depois de instalado o piso, é só montar a barraca. É possível montar essa iglu diretamente em cima do teto, até sozinho, mas para isso tem que adquirir prática, é um pouco mais difícil, e tem risco de cair. O ideal mesmo, na minha opinião, é montar a barraca no chão, e depois levar tudo para cima. Muito mais fácil e tranquilo.

4 - Amarrar a barraca ao bagageiro de teto. Para isso, uso cordinhas simples. E o interessante é que nem preciso catar cordinhas por aí, pois deixo-as sempre fixas aos quatro cantos da barraca. Dobro tudo junto. No meio das laterais há dois elásticos próprios da barraca. Estes alcançam direitinho em dois pinos do bagageiro. Ou seja, a barraca fica bem fixa em seis pontos. Muito mais fixa do que se estivesse presa em espeques tradicionais, no chão.

5 - Inflar o colchão de ar (ou estender colchões de espuma, se for o caso). Nós inflamos com uma bomba manual. Dá um pouco mais de trabalho, mas o colchão que temos tem um sistema de enchimento um pouco mais rápido. Mas, para quem quer mais praticidade ainda, também é possível usar bomba elétrica. Estamos até pensando em adquirir uma. Outro detalhe é que, com a barraca em cima do teto, fica mais ergonômico inflar o colchão, do que com ela no chão.

6 - Pronto. Agora é só levar as coisas pessoais para dentro, como lençóis, travesseiros, cobertor... Como a barraca não é grande, só levamos o essencial. O resto fica tudo dentro do carro, como veio. Melhor ainda, pois não precisa tirar coisas e depois colocar de novo ao fim do acampamento.




Então, meus amigos, o que acharam do projeto? Comente com a gente se você gostou, e principalmente se você resolveu fazer como nós, pois adoraríamos saber que mais pessoas decidiram esquecer das convencionais barracas caríssimas de teto e fazer algo diferente e simples, e com muito mais vantagens! Até a próxima aventura!! E por enquanto nos vemos pelo nosso perfil no Instagram, @decarropelaamerica. Abraço!




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Restauração do silenciador da nossa Discovery

Não há nada melhor do que fazer as coisas a gente mesmo. Por que pagar para fazerem, se você vai se divertir e ter orgulho do resultado?




Quem tem acompanhado nossas postagens já deve ter percebido que um de meus passatempos favoritos tem sido olhar para o carro e pensar "o que posso melhorar nele?" E sair aprendendo e futricando em tudo que posso.



Então, na foto acima está estampado um detalhe que passei a observar e me incomodar de certa maneira. Mesmo depois de uma boa lavada, lá estava aquele velho silenciador com aspecto de sujo, ou de ferrugem. Por quase um ano eu não fazia ideia de que eu poderia um dia ser capaz de fazer algo com ele por minha própria conta.

No último mês cheguei a ficar um bom tempo pesquisando outras alternativas: silenciador esportivo, ponteiras cromadas, ponteira dupla, escape direto, e assim por diante. Mas um dia estava em uma ferragem procurando um parafuso qualquer e vi numa estante um frasco de tinta em spray que dizia "alta temperatura". Era uma tinta que poderia ser usada para pintar escapamento. Aquilo me deu uma ideia. Comprei o frasco e um pedaço de lixa para metal.

Tinta indicada para pintar escapamento, por resistir a altas temperaturas.


Tinta para alta temperatura, solvente (Thinner), lixa-ferro, papel-pano, pote, luvas de borracha, jornais, detergente líquido neutro, palha de aço e fita crepe.

Primeiro passo foi remover o máximo possível das sujeiras no silenciador. Para isso, usei uma esponja de aço dessas de cozinha mesmo, como se estivesse limpando uma panela. Usei um pouco de água para ajudar a umedecer a sujeira.


Aqui raspei o silenciador com palha de aço e água com detergente líquido para retirar ao máximo as sujidades e ferrugens da peça. Depois disso, ainda precisei lixar e passar solvente.



Só isso já revelou uma cor de metal que há muito tempo não se via. Mas tinha um pouco de ferrugem ou algumas sujeiras que ainda permaneciam. Então, o segundo passo foi usar a lixa.

Depois de lixar, passei um papel-pano com água e detergente para retirar todo o pó proveniente do processo anterior. Na verdade mesmo não fiz tudo em etapas tão definidas. Depois de lavar, por exemplo, eu resolvia dar mais uma lixada, então voltava a lavar etc. O importante é que no fim tudo esteja o mais limpo possível para receber a pintura.

O silenciador, como ficou: com a parte metálica mais exposta, pronta para receber a pintura.


Vi na internet que se passa solvente de tinta (Thinner) antes de pintar, para ajudar na limpeza. Talvez ele ajude a dissolver algumas impurezas, não sei. Mas fiz.

Enfim, tudo ficou pronto para ser pintado. Mas antes, é claro, usei jornais e folhas de revistas grudados com fita crepe para evitar pintar outras partes do carro.

Como a pintura foi feita no próprio local da peça, o acesso dificulta um pouco a aplicação. Mas deu certo. Veja como ficou o resultado final, após duas mãos de pintura.

Vista do carro por trás para mostrar o silenciador já pintado com tinta preta fosca para alta temperatura.


Silenciador recém pintado de preto, visto por baixo.


Na minha opinião, deu uma nova cara, sem perder a originalidade. A cor preta deixa ele com menos destaque nas fotos e ainda combinando com o parachoque. Não é mais aquela coisa enferrujada e suja que se destacava indevidamente no visual. Agora, quando escrevo, já se passou cerca de um mês que fiz a reforma e já posso garantir que tudo ficou em bom estado. Já estou pensando no que mais poderia pintar em baixo do carro.

Gostou do resultado?

Porém, ainda faltou uma coisa...
Lá no início, quando eu passava palha de aço, notei que na parte de cima havia um acúmulo de terra incrustada. Quando esfreguei, ou lixei, abri um furo. Na verdade o furo já estava se formando, eu só revelei ele. Na verdade, mais de um furo... Enfim, a terra absorve umidade, e essa umidade foi a responsável por, ao longo dos anos, corroer a superfície.

Parte superior do silenciador, antes da reforma, mostrando um furo, que foi causado pelo acúmulo de sugeira ao longo dos anos, o que causou umidade, deteriorando a peça.


Se aquele furo ficasse assim, aberto, a água iria entrar e se acumular no interior do silenciador. Daí sim, acabaria com ele em pouco tempo. Eu não poderia deixar isso acontecer! Então, comecei a pesquisar formas de tampar esse buraco. E você não vai acreditar no eu fiz!

Tesoura, latinha de alumínio, lixa-ferro, cola para escapamento e tinta para alta temperatura.

Isso mesmo, uma latinha! De onde mais eu poderia encontrar uma folha de metal suficientemente resistente e mesmo assim flexível e fácil de cortar? Como se vê na foto, lixei bem a latinha para deixar o metal todo à mostra.

Lixei ao redor dos furos, para preparar o local para a alicação do remendo.

Antes de colar, lixei novamente o silenciador ao redor da área danificada, para deixar o metal dele também à mostra, para melhorar a adesão. Nele e na latinha, limpei bem com solvente, para retirar ao máximo as impurezas.

Recortei a latinha já lixada no formato que eu precisava para tapar a zona dos buracos e apliquei a cola para escapamento.

Aqui está o pedaço recortado da latinha com a cola.

Apliquei o pedaço de latinha de alumínio com a cola para escapamento.

E assim ficou, logo depois de aplicado. Apertei bem, para evitar bolsas de ar e aproximar ao máximo as superfícies dos metais. Depois, retirei o excesso de cola que saiu pelas laterais. A consistência dessa cola é como de cimento. Bem parecido mesmo. Então, só faltava pintar.

Depois de umas duas semanas de aplicado o remendo, lixei novamente, limpei bem com solvente e depois pintei com a mesma tinta para alta temperatura.

E assim ficou o resultado final do remendo, após a pintura. Não ficou perfeito, mas o importante é que o silenciador está salvo. Lembrando, se ele ficasse furado, iria entrar água e sujeira para dentro e logo ele iria apodrecer, até furar na parte de baixo e por dentro. Visualmente, não tem problema, pois esse remendo é na parte de cima, onde ninguém olha.

Resultado. E então, ficou ou não uma beleza?

Mais um passo concluído. Espero que tenham gostado e se inspirado para novas reformas em suas máquinas de guerra. Cuidem bem delas, e sempre estarão ao seu lado, nas maiores e mais desafiadoras aventuras. Ah, e se alguém tem alguma ideia para dar, comentem abaixo. E boas viagens! Abraço!


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