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Viajar vai me fazer feliz?

O que fazer com essa vontade enorme de viajar? Agora, principalmente, neste momento de pandemia, com as fronteiras todas fechadas. Até mesmo uma viagem para cidades próximas é desaconselhada. Como ser feliz se não estou viajando? Aliás, viajar me faz feliz?

Imagem de Júlia Orige por Pixabay.

Elefantes percorrem longas distâncias em busca de água na savana. Pássaros migram milhares de quilômetros em busca de melhores condições para se alimentar e ter seus filhotes. Cardumes de trutas realizam grande esforço nadando contra a correnteza para se reproduzir e garantir a permanência de sua espécie. Ou seja, não somos os únicos animais que realizam grandes viagens pelo planeta. Mas será que somos os únicos que viajam por prazer e não apenas por necessidade? Boa pergunta.

Imagem de enriquelopezgarre por Pixabay.


De certa forma, eu diria, também viajamos por necessidade. Assim como a sede ou o instinto de sobrevivência, o desejo de viajar também consiste em uma necessidade que urge de nosso interior, de nossa busca pela felicidade.

Acontece que há necessidades que precisam ser supridas primeiro, como a sede, a fome, a segurança (ter uma casa para morar, um emprego fixo). Suprindo-as, você sentirá necessidade de suprir outras mais elevadas, como a busca por atividades de lazer e outras que lhe dão prazer, como viajar, conhecer lugares novos.

Portanto, para muitas pessoas, inclusive para mim, viajar é um elemento essencial para uma vida feliz. Viajar é uma necessidade que preciso muito suprir. Se alguma necessidade básica estiver ameaçada, talvez eu tivesse que deixar de lado um pouco as viagens e me concentrar em resolver os problemas básicos. Entende como funciona?

Outra coisa é que você não pode pensar em viajar como aquilo de mais importante para a sua felicidade. Senão, durante esses longos meses de pandemia, por exemplo, irá ficar "acabado", triste, desrealizado. Você têm que encontrar um conjunto de elementos.

Ser feliz é como preparar seu prato preferido de comida. Não há uma receita específica, mas existe a sua receita. Primeiro, você precisa saber o que quer fazer. Depois, precisa de um conjunto de ingredientes e saber como prepará-los. Alguns são essenciais, outros são temperos, servem para acrescentar sabor.

Imagem de Pexels por Pixabay.


Claro que há necessidades maiores, como falei, como ter um emprego, uma casa etc. Mas, fora as necessidades básicas, que acredito que você já supre, viajar, para você, é um ingrediente essencial ou um tempero? Você sabe preparar bem a sua refeição? Sabe o que está fazendo com a sua vida?


Feitas essas reflexões, meus amigos, acredito que meu abjetivo por hoje está cumprido. Fomos dos animais desejantes à culinária autofágica, hehehe. Desejo a todos um bom dia e que logo estejamos livres novamente para que possamos viajar para onde nossos desejos e necessidades nos levarem. Muito obrigado por nos acompanhar aqui no blog, no Instagram ou Facebook.


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Algumas sugestões de leitura relacionadas ao tema:
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Por que não largar tudo e viajar?
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7 dicas de um psicólogo para você ser feliz
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O que aprendemos com o Atacama

Dia 20 de setembro de 2019 partimos de Porto Alegre rumo ao deserto mais árido do mundo, o Atacama, localizado ao norte do Chile. E foi surreal! Voltamos outras pessoas, mais apaixonados do que nunca pela vida e pela natureza.

Foto tirada já no Chile, após cruzarmos a fronteira com a Argentina, no começo do espetáculo do pôr do sol.


Foi fácil? Nem um pouco. Mas a vida sempre me ensinou que não existe aventura boa e fácil ao mesmo tempo, já percebeu? Aquelas mais complicadas, as "indiadas", de perrengues sofridos, serão justamente as que você mais vai gostar de contar para os amigos e parentes. E o Atacama é mais do que isso. O Atacama é desafiador e é bonito demais! Faz qualquer perrengue valer à pena, pode ter certeza.

Assim, a primeira coisa que você precisa saber é que o Atacama não é um local para gente "fresca", daquelas acostumadas com tudo fácil, de mão beijada. Lá, quanto maior a beleza do local, maior a dificuldade. Bom, na verdade, abaixo do sol das 3h da tarde, por exemplo, até para dar uma volta na quadra é difícil. O que separa os aventureiros dos fracos é que estes ficarão o passeio todo reclamando, frustrados, ou até podem desistir, enquanto aqueles seguem em frente e são capazes de sentir a dádiva de estar ali, onde, sei lá, parece a Terra há milhões de anos, ou até outro planeta.

Não é à toa que um dos locais turísticos no Atacama se chama "Vale de Marte". Chama-se assim porque se assemelha muito com o relevo do planeta vermelho. E este é um mirante de onde se pode admirá-lo. Ao fundo, à direita, o vulcão Licancabur, presença marcante na região.


Ao lado do Vale de Marte encontra-se o Vale da Lua, também por sua semelhança.


E se você já foi ao Atacama, e foi de avião, fazendo os passeios com as vans turísticas, que bom, você deve ter visto os geisers, as termas de Puritama, os flamingos, o salar. Mas, sinto-lhe dizer, você com certeza não passou por um dos melhores pontos do local: a épica travessia das cordilheiras dos Andes. Nunca vou me arrepender de ter ido de carro, porque aquele momento ficou e vai ficar para sempre marcado na minha memória. Tanto a ida quanto a volta, mas principalmente a ida, por ter sido a primeira vez.

Flamingos "dançando", num ritual de acasalamento.


Sou fascinado pelos animais. E essa foi a primeira vez que vi flamingos. Não queria ir embora sem vê-los. E, para a minha surpresa, vi bem de perto, na visita à laguna Chaxa.

De Porto Alegre até San Pedro são 2.336 Km. Fizemos em cinco dias. É possível ir em menos tempo, mas nós gostamos de ir parando, de vagar, e conhecendo as localidades pelo caminho. Conhecemos várias cidades e pontos turísticos pela Argentina (o que poderia ficar para outras postagens). Foram rodovias retas e longas, planícies intermináveis, lindo. Mas nada se compara, na minha opinião, à beleza das cordilheiras e à aventura de cruzá-las, principalmente por esse trajeto. Próximo à Salta, começamos a subir, mas de leve. Vai subindo, vai subindo, até que, após Purmamarca, passamos pela  íngreme Cuesta de Lipán, uma parte minhoquenta em que se chega a um pico de 4.170 metros de altitude e depois desce novamente até um platô, que se estende a partir dali por longos quilômetros.

Vencida a Cuesta de Lipán, hora de fazer uma parada para fotografar a vitória e a beleza do lugar.


Depois da Cuesta de Lipán, passamos pelas Salinas Grandes, um salar, algo que nunca tínhamos visto. E depois seguimos por horas em um sol escaldante, em uma reta que não acabava mais. Tudo o que queríamos era uma sombra para fazer uma parada e descansar um pouco. Mas essa seria outra provação do Atacama: não tinha sombra em lugar algum! Nessa planície não tinha uma árvore, nem ao menos cacto. Era tudo uma imensidão plana, castigada pelo sol. Fazia uns 40 graus, o sol "pegando" pelo para-brisa, e, para completar, sofríamos pelo ar rarefeito. E o carro também sofria, pois, quanto menos oxigênio, pior a combustão. Então, ele andava de vagar, com pouca força. A gente perdeu tempo conhecendo os locais pelo caminho e a fronteira com o Chile fecha às 18h, então, imagine que não poderíamos nos permitir fazer mais nenhuma parada, senão teríamos que pousar na fronteira até o dia seguinte, quanto abrisse novamente. Já pensou?


Ao fundo, as Salinas Grandes, onde logo estaríamos. Essas duas fotos eu tirei do paradouro La Pekana, local muito bom para parar, comer umas empanadas e outras delícias. Com certeza uma das melhores empanadas que você vai comer na vida.


Mas, com todas as dificuldades, não conseguíamos acreditar que estávamos fazendo aquela travessia. E deu tudo certo. Conseguimos chegar ao Paso de Jama (fronteira) pouco antes de fechar, e seguimos Chile adentro. E, se as últimas horas em sol escaldante pela Argentina foram desgastantes, da fronteira em diante vimos as imagens mais lindas e espetaculares do passeio. O sol já estava mais baixo, e a temperatura começou a baixar rapidamente.




Antes de começar a descer as cordilheiras até San Pedro, tem um trecho de nova subida, e dessa vez ainda mais alta. Isso após aquele platô. Começamos novamente a passar por entre picos de montanhas, e a maioria com neve, pois chegamos até quase cinco mil metros de altitude, e tudo isso no entardecer. Imagine um céu azul, um ar gélido, por entre montanhas avermelhadas pelo pôr do sol, ou escuras pela sombra. Enquanto isso, nosso carro subindo a vinte por hora, pois estava fraco pela falta de oxigênio. Aquela cena era tão linda, e tão satisfeitos estávamos, que, quando alcançamos o ponto mais alto do trajeto, após tantas dificuldades, tantos dias de viagem, chorávamos e gritávamos de emoção dentro do carro, em comemoração àquela vitória.

Vencendo os picos mais altos. Se ainda tem neve aí, derretendo de vagar, imagine você que a temperatura não passa muio além dos zero graus. Agora, imagine durante a madrugada, com vento.


E esse é justamente o ponto que quero ressaltar. Mais do que um lugar bonito para se conhecer em vida, o Atacama nos mostrou como que a vida é linda, e é uma dádiva mesmo. Num lugar tão inóspito como aquele, em que qualquer organismo encontra dificuldade para sobreviver dia após dia, quem diria que se poderia entrar em contato mais ainda com a própria paixão em viver! Como é bom ter vivido para um dia ver aquelas montanhas, ali, naquele momento maravilhoso! Então, se tem uma vida que vale a pena ser vivida é a de um viajante. E nós podemos dizer que temos muita sorte e que fizemos boas escolhas na vida, para poder ter estado ali naquele momento tão marcante.

Legal, não é? Só que eu nem contei ainda como foi a volta, de San Pedro até o alto das cordilheiras. Na ida, após o ápice da subida, descemos dos quase 5.000 metros até 2.400 praticamente em linha reta, no escuro. Para não desgastar os freios de nosso carro, que tem duas toneladas e meia, usei bastante o freio motor para auxiliar. E o motor gritava lá na frente, enquanto, de tempos em tempos, passava uma placa indicando que, caso faltasse freio, poderia jogar o carro em uma "saída de emergência". Aquilo era quase uma ameaça! Mas daí vinha a pergunta: descer, a gravidade ajuda, mas e pra subir aquilo tudo de volta?

Essa foto tirei na subida de volta. Consegui pegar as lhamas, acima, e as placas de uma das saídas de emergência que vimos na ida, pelo retrovisor. Clique na imagem e aproxime, para ler o que está escrito.
Se tivéssemos subido com a marcha normal, certamente teríamos fervido o motor. É verdade. Até passamos por um caminhão com motor fervido pelo caminho. Mas ainda bem que nosso carro tem reduzida e nós, calma. Engatamos a reduzida e subimos bem de vagar, olhando a paisagem. E que paisagem!

Lhamas à beira da estrada. A da direita parece que também admira o Licancabur.




O icônico vulcão Licancabur - ao lado de seu "irmão" decapitado, segundo as lendas locais contam - nos acompanhou durante toda a subida de volta. Parece que estava ali, nos dando força. Enquanto isso, o som do carro tocava músicas da nossa playlist "De carro pela América", do Spotify, que tínhamos feito especialmente para aquela viagem. E aquilo foi tão marcante que até hoje, quando escutamos as músicas que tocavam naquele momento, parece que somos transportados para aquele lugar mágico, aos pés do vulcão, subindo lentamente.

Aqui ainda estávamos na subida de volta. Que paisagem! Stephanie estava maravilhada.


E é com essa imagem mental que nos despedimos de mais esta postagem do De carro pela América. Espero que todos também possam encontrar lugares mágicos em passeios fantásticos como esse que fizemos. Isso que nem me ative a contar sobre os pontos mais turísticos. Fomos em quase todos, são maravilhosos. Mas isso você lê em diversos sites pela internet, não é mesmo? Enfim, espero que você pense na possibilidade de ir de carro ao Atacama.  É outra coisa. Saia da zona de conforto, faça uma aventura, viva! A vida te chama. Um abraço e boas viagens!


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Minimalismo: viver com menos para viver melhor

Você já ouviu falar em Minimalismo? Tem ideia do que seja?


Minimalismo é um estilo de vida no qual se vive com pouco para poder aproveitar mais. Já vou explicar melhor. Mas, antes, quero te falar sobre felicidade, pois no fundo a felicidade é a base de tudo.

Para quem não sabe ainda, sou psicólogo e me interesso pelo estudo da felicidade. Cheguei a fazer um trabalho de conclusão de curso sobre esse tema, resgatando o conceito lá da Filosofia. Caso você queira ler esse trabalho, clique aqui. Você será direcionado para meu blog Psicologia da Felicidade, onde costumo escrever sobre tudo isso.

Resumindo: todos, no fundo, em tudo que fazem, estão buscando a felicidade. O problema é que não há uma fórmula mágica, então vamos tentando, aprendendo, errando umas vezes, acertando outras. Às vezes nos prendemos a caminhos errados, às vezes podemos corrigir o prumo, às vezes não. Por isso devemos refletir na vida, pensar: o que nos faz feliz? Como levar uma vida mais feliz?

Na lógica consumista em que vivemos, precisamos estudar para conseguir ter um bom emprego, para poder ganhar um bom salário, para poder comprar coisas e ter o máximo de luxo possível: casa grande, carros do ano, roupas da moda, objetos de última geração.

Mulher comprando roupas
(Foto de Matthew Henry, do Burst)

O grande problema é que o que julgamos ser necessário sempre acompanha o valor que temos disponível para gastar, não é mesmo? Isso nunca tem fim. A gente está sempre querendo mais e mais. Tem até um filme na Netflix bem ilustrativo, que vimos esses dias. Chama-se "Os Delírios de Consumo de Becky Bloom". Se você não viu, assista. É bem engraçado, e muita gente por aí se identifica. :P

Mas não defendo nenhuma posição radical. O luxo é bom, não queremos voltar à era da pedra. O sábio é sempre encontrar um meio termo, como diriam muitos filósofos. Minimalismo não é se desfazer de tudo e viver na rua, perambulando, "livre". Isso não é ser livre. Se você não tem a liberdade de conhecer outros lugares do mundo, você não é livre. Se você não pode escolher o que comer, porque não tem dinheiro, sempre comendo o mais barato, para não gastar, você não é livre. E é aí que entra o dinheiro na história!

moedas e dinheiro
(Foto: Shopify Partners, do Burst)

Dinheiro trás felicidade? Bom, o que é o dinheiro? É um pedaço de papel impresso com desenho de um rosto? É um disco de metal? Não é só isso. Se formos a fundo, o dinheiro é apenas um intermediário genérico para qualquer coisa comprável. E isso poderia ser muita coisa. Antes do dinheiro, trocavam-se coisas ou serviços por outras coisas ou serviços, diretamente. Agora tem o dinheiro no meio. Então, a questão toda não é o dinheiro em si, mas o que você faz com ele. Por isso, dependendo de como você o gasta, ele pode te trazer felicidade, ou até a desgraça da tua vida (sendo bem dramático agora, hehe).

Enfim, o segredo no fundo é você administrar bem a sua vida, inclusive (ou principalmente) o dinheiro. Se você observar as pessoas ao redor, talvez perceba que aquele vizinho, que acabou de comprar um carrão do ano e está sempre com ternos caros, indo a restaurantes caros, talvez esteja gastando todo o dinheiro nesses luxos, e não tenha sobrado nada para viagens. Na verdade, tem gente que sempre viaja para o mesmo lugar, já percebeu? Tem gente que resolve ter um filho, depois quer ter outro só pra fazer "casal", e quando tem dois do mesmo gênero, resolve ter mais um. Então o gasto é alto, eles passam a vida se matando no trabalho para sustentar suas escolhas, e no fim não aproveitam a vida. Por outro lado, tem gente que ganha bem menos, mas se diverte mais, viaja mais, tem tempo para os amigos, tempo um para o outro.

Você aproveita a vida como gostaria? Está satisfeito com o estilo de vida que leva? Você consegue ter tempo para fazer o que realmente gosta? Ou está se sentindo preso pelas escolhas que fez, escolhas essas que na verdade foram feitas porque "todo mundo fez também", ou seja, por influência da sociedade, dos pais, dos amigos, e não por sua própria e melhor vontade?

A vida é feita de escolhas. E a gente não pode escolher tudo que gosta. Mas a gente pode sim escolher o que é mais importante.

Será que é realmente necessário trocar sua TV de tela plana grande por uma maior ainda, UHD, gastar mais dois mil? Bom, depende. Se assistir televisão é uma peça central na sua vida, pode valer a pena. Para mim e minha esposa, não. Achamos que nossa TV já dá pro gasto, para assistir nossas séries e filmes de vez em quando. Pegamos os dois mil então e investimos em viagens, pois, para nós, viajar é uma peça central para a felicidade. Repito: para nós, ok? Cada um fará suas escolhas. O importante é não se deixar levar por modismos, necessidades impostas pelo consumismo desenfreado, pela cabeça dos outros etc.

Se você é novo por aqui, não nos conhece, clique aqui, para sermos apresentados melhor.

Essa filosofia é um dos motivos pelos quais decidimos comprar nossa Discovery 1996 (e botar a venda nosso Fiesta). Muitas pessoas pensariam "Nossa! Comprou um carro velho!" É gente que não sabe dar valor à funcionalidade das coisas. Na cabeça dos consumistas, o bom é o novo, o carro zero. Só que o carro zero é muito mais caro, desvaloriza muito rapidamente ao longo dos anos, tem manutenção alta, as peças de reposição são caras, o imposto é caro (o meu nem paga imposto!). Leia a postagem Qual carro comprar para viagens longas, deste blog, para ver todas as vantagens desse meu veículo velho antigo.

Minimalismo
Essa é a nossa Malandra, estilo retrô, clássica, fantástica! 😀 (O preto e branco aqui é para dar aquele ar de antiguidade, hehe)

E é com essa imagem MARAVILHOSA da nossa Malandra (palavras de um apaixonado mesmo, hehe) que me despeço de vocês agora, desejando que reflitam sobre suas vidas, se estão de fato direcionando seus esforços para o que de fato interessa para a sua felicidade, se não há coisas demais, coisas que poderiam ser vendidas, reinvestidas (tempo, dinheiro...). Que encontrem um meio termo, em que possam lutar por dinheiro (trabalhar) sim, mas que sobre tempo para aproveitar o lado bom da vida. Pensem bem: com pouco, pode-se muito mais do que se pensa!

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Leandro e Stephanie
Leandro e Stephanie

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Por que não largar tudo e viajar?
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Confira essas e outras leituras no Índice de postagens e páginas.

Por que não largar tudo e viajar?


Meu problema deve ser o da maioria das pessoas que aqui leem: estamos em um emprego, sobrevivemos por conta dele, pagamos contas, e juntamos dinheiro para viajar durante as férias. É assim também com você?

Imagem de Jan Vasek por Pixabay


Contudo, haverá pessoas que vão dizer que largaram tudo, venderam boa parte das coisas, saíram por aí, e que todo o mundo poderia fazer o mesmo. Mas, será bem isso?

Na minha opinião, se você analisar a vida dessas pessoas, muitas delas tem pais com dinheiro suficiente para sustentá-los, ou pelo menos para garantia de que, se tudo der errado, poderão ajudá-los a se recuperar. Outras tem investimentos capazes de, de fato, sustentar todos os gastos necessários. Outras pessoas trabalham com atividades que não precisam de local fixo, podem trabalhar viajando. E tem aqueles também que não têm muito dinheiro, mas que não se importam em viver com muito pouco, e para pagar suas necessidades fazem “bicos”, artesanatos.

Enfim, a grande questão é: você terá como viver bem se fizer isso? E viver bem não é apenas sobreviver. De nada adiantaria sair viajando o mundo e não poder ir em um restaurante provar uma comida típica, ou passar num museu muito importante da cidade e não ter dinheiro para entrar. Tudo bem, tem diversos níveis de conforto que se pode ter em uma viagem e, quanto mais conforto, menos longe se poderá ir, pelo menos para a grande maioria das pessoas, os não ricos. Eu, por exemplo, não me importo muito com conforto. Poderia ficar acampado, dormir em barraca de teto em posto de combustível quando necessário. Não me importo de não ir nos melhores restaurantes. Mas, fazer a própria comida todos os dias, três vezes por dia, dá muito trabalho, cansa. Quero ter dinheiro para poder comer fora de vez em quando, ir numa cafeteria típica tomar um pingado. Meu emprego, no momento, é justamente a única garantia que tenho de que terei dinheiro para viajar e viver essas coisas. Mas, poderia vender tudo e aplicar o dinheiro? Poderia... se eu tivesse alguma coisa. Mas a única coisa que tenho é o carro. E, se quebra a turbina, por exemplo, o que faço?

Felizmente tenho o privilégio de ter um emprego bom, do qual me sobra algum dinheiro para viajar, pois tem pessoas que nem isso, passam as férias em casa, ou em algum local próximo. Quem tem filho então...

Muitas pessoas acham maravilhoso ter filhos, e é, tudo bem. Mas, para quem luta para sobrar dinheiro nas férias para poder viajar, ter filho (pelo menos na minha idade) é botar uma âncora na vida. Sei que é uma visão terrível, que alguns vão me condenar por isso. Mas é só um ponto de vista. Um dia eu poderei ter, e com certeza vou gostar, cuidar e valorizar. Porém, um filho significa um gasto significativo. A mesma coisa um animal de estimação. Tem gente que tem um cachorro, e leva junto na viagem. Ótimo. Mas, continua sendo um gasto a mais, uma dificuldade, não pode ser levado em qualquer lugar, tem que cuidar pra não se perder... Tá, também tem suas vantagens. Se você já tem o cachorro, leve junto, é seu companheiro. Leve junto seu filho. Mas, eu que não tenho, melhor esperar e aproveitar para viajar muito, não acham? Agora, e aquelas pessoas que têm três cachorros, dois gatos, uma calopsita, um papagaio...? Aí, meu filho, sua vida é viver em casa. Quem mandou ter bom coração...

Dois viajantes
Foto: Brodie Vissers. (https://pt.shopify.com/burst)

O que eu quero dizer é: parem de dizer para os outros largarem tudo e saírem viajando! Só porque foi possível para você, não quer dizer que será possível ou bom para todos! Cada um tem a sua realidade, tem seus desafios, seus gostos, suas necessidades, seu tempo. Meu tempo, por enquanto, são os míseros 30 dias... Um dia, se possível, posso conseguir alguma forma de ganhar dinheiro e me sustentar sem precisar emprego em local fixo. Mesmo assim, não acho que viajaria 365 dias por ano. Faria trechos, rotas, mas possivelmente gostaria de voltar de tempos em tempos para algum local, rever a família e os amigos.

E você? Concorda? Gostou dessa reflexão? Então, comente abaixo nos comentários, para que possamos saber sua opinião. Inscreva-se neste blog, siga nosso Insta @decarropelaamerica para acompanhar nossas publicações, fotos dos lugares que passamos...

Um abraço e que todos consigam viajar muito nessa vida!
Leandro.

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