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Tutorial para troca do óleo dos diferenciais

O diferencial é um conjunto de engrenagens que faz parte do sistema de transmissão da força gerada no motor até as rodas do carro. Mais especificamente, o papel dele é receber o torque de um eixo e distribui-lo igualmente entre outros dois (por exemplo, os eixos que giram duas rodas).

Esse é o diferencial traseiro do meu carro. O dianteiro tem a mesma aparência. Já o diferencial central fica junto com a caixa da reduzida e tem uma aparência diferente.

A vantagem do diferencial, por exemplo, é possibilitar que, em uma curva, a roda que contorna pelo lado externo possa girar mais do que a roda interna, evitando que as rodas arrastem. Se as duas rodas girassem igualmente (sem diferencial), as rodas arrastariam um pouco e forçariam o sistema de transmissão, podendo causar danos às engrenagens ou um acidente.

Por causa dessa característica, por outro lado, se uma das rodas perder o contato com o solo, o diferencial irá tentar nivelar o torque, tendo como consequência que a roda que está no ar irá girar mais e a que está no solo ficará parada. Isso é um efeito indesejado, pois assim o carro não consegue transmitir força ao solo para se mover. A solução, para veículos 4x4, é contar com sistemas de bloqueio de diferenciais.

No caso da minha Discovery, existem três diferenciais. O primeiro é o central, que recebe o torque do motor e o distribui igualmente para os eixos traseiro e dianteiro. Além desse, há um diferencial dianteiro, que recebe o torque do diferencial central e o distribui para as rodas dianteiras, e o diferencial traseiro, que recebe o torque do diferencial central e o distribui para as rodas traseiras. De fábrica, somente o diferencial central possui bloqueio. Mas é possível instalar sistemas extras para bloqueio dos outros individualmente.

Desenho das engrenagens de um diferencial (cortado). No fim, é algo muito simples. Se você quiser ver, há muitos vídeos no You Tube. // Imagem de ottlukas14 por Pixabay.

Dentro da carcaça dos diferenciais estão as engrenagens, as quais precisam ser embebidas em óleo para engrenagens conforme a especificação do fabricante.



Aqui, por exemplo, é uma tabela do Manual de Manutenção da Discovery 1 com as recomendações de fluidos. Lá embaixo você vê os diferenciais dianteiro e traseiro como "Final drive units". A recomendação é usar viscosidade 90 EP para climas quentes, e 80 EP para climas frios (que possam chegar abaixo de -10°C). O diferencial central, como falei, fica junto à caixa da reduzida, a qual é identificada por "Transfer box LT230T", na última linha. A recomendação é a mesma.

Pois então, quanto à manutenção preventiva dos diferenciais, dois procedimentos são importantes:
1) Conferir o nível (e qualidade) do fluido;
2) Trocar o fluido.
São procedimentos muito simples, que você pode fazer em casa mesmo.

Vou colocar abaixo o que diz no manual de manutenção. Não se assustem. Parece complexo, mas não é. Depois eu vou resumir, para você entender melhor.

Procedimentos para troca do óleo dos diferenciais dianteiro e traseiro e para conferir o nível.

Procedimentos para a troca do óleo do diferencial central e para conferir o nível.

Vou simplificar.

Para trocar:
1 - Retirar o cabo negativo da bateria;
2 - Retirar o bujão de nível (superior) e depois o de dreno (inferior) e deixar escorrer o óleo velho em uma bandeja;
3 - Fechar o bujão de dreno;
4 - Colocar o óleo novo pelo furo do bujão de nível até encher;
5 - Fechar o bujão de nível;
6 - Recolocar o cabo negativo da bateria.

Para verificar o nível:
1 - Retirar o cabo negativo da bateria;
2 - Retirar o bujão de nível (superior);
3 - Olhar pelo furo o nível, ou colocar o dedo dentro para constatar;
4 - Se necessário, colocar mais óleo;
5 - Fechar o bujão de nível;
6 - Recolocar o cabo negativo da bateria.

Observações:
-Usem as ferramentas corretas. Os bujões são duros de sair, e uma chave catraca pode ser muito difícil. O ideal é usar uma ferramenta para torques maiores (sem catraca e com cabo mais longo), por exemplo, um cabo de força. Aí será muito mais fácil. Depois de soltar o bujão, daí sim é bom usar uma chave catraca, para ser mais rápido.
-O manual diz para usar um vedante nos bujões do diferencial central, mas não o cita no caso dos diferenciais dianteiro e traseiro. Da última vez que troquei o traseiro, resolvi aplicar o vedante mesmo assim.
-Observem os torques recomendados para os bujões, quando houver. Para usar o torque correto, usem um torquímetro. Eu uso um torquímetro de vareta. Notem que para os diferenciais traseiro e dianteiro, não há indicação de torque. Nesse caso, é só usar o bom senso.
-No meu manual de manutenções, há uma parte que fala sobre as quantidades dos fluidos. Diz que são 2,3 litros no diferencial central e 1,7 litros no traseiro e dianteiro (cada).
-Limpe antes de abrir os bujões, para evitar entrar sujeira para dentro. Também limpe as roscas dos bujões.
-Retirar o negativo da bateria é uma recomendação do manual, por segurança, já que quase tudo (inclusive os diferenciais) estão conectados ao negativo pelo aterramento.
-No meu carro, todos os bujões são retiráveis por uma ferramenta de ponta quadrada de 13mm. Provavelmente você tem nas chaves-catracas, torquímetro etc. É um tamanho bastante comum. Normalmente é o quadrado que se usa para acoplar os soquetes e outras pontas.


Aqui eu estou usando um cabo de força para soltar o bujão de nível do diferencial central (ou caixa de transferência). Perceba o tamanho do cabo, nem coube na foto.

Após abrir o bujão, escorreu um pouco do fluido, sinal de que estava mesmo no nível. Notem que a cor estava clara, próximo da cor de quando é novo. Visto isso, conferi que estava tudo certo, não precisava trocar.
Antes de fechar, apliquei (conforme recomendado) vedante de silicone para altas temperaturas (no manual é indicado Hylomar, uma marca específica que você nem vai encontrar, mas não precisa ser esse). Isso irá impedir possíveis vazamentos.

Este é o diferencial traseiro, quando abri o bujão de nível há algumas semanas. Estava um pouco acima do nível e com aspecto escuro e viscoso. Suspeito que tenha entrado graxa de algum retentor ruim, não sei. Desde que comprei o carro, há quase dois anos, nunca tinha trocado esse óleo, e também não tenho histórico de troca. Enfim, tive que trocar o óleo. Daqui seis meses vou abrir novamente o bujão de nível e ver se está bom ainda. // O diferencial dianteiro eu já havia trocado o óleo há uns seis meses, antes da viagem ao Atacama. Também estava com um aspecto ruim e acima do nível.

Para adicionar o óleo, você precisará de um funil como esse.

Enfim, espero que eu tenha feito uma boa descrição. Mas, se tiverem alguma dúvida, é só escrever abaixo nos comentários. Verifique o nível e a qualidade do óleo dos diferenciais de tempos em tempos. Eu diria que a cada seis meses ou no máximo um ano. Diferentemente do óleo do motor, que se contamina e gasta mais fácil, o óleo dos diferenciais são muito mais duráveis. Mas é importante verificar com frequência, pois podem ocorrer vazamentos ou contaminações e, se você não estiver atento, poderão causar danos nas engrenagens a médio ou longo prazo.


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Preciso mesmo de um BOOST PIN?

Olá meus amigos, sejam bem vindos ao De carro pela América. Meu nome é Leandro e hoje o assunto é sobre mecânica automotiva, mais especificamente sobre os motores 300 tdi ou que tenham sistema semelhante. Quero relatar a vocês como fiz a regulagem da LDA da minha Discovery e obtive bons resultados mesmo sem ter recorrido ao famoso "boost pin", mas apenas observando alguns detalhes e fazendo com calma os procedimentos.


Talvez você já seja uma pessoa bem entendida sobre o motor 300 tdi. Porém, tenho que considerar que há outros iniciando seus aprendizados, que compraram recentemente o carro. Para esses, eu preciso fazer uma breve introdução, para que se situem melhor diante do assunto aqui tratado. Se você já é entendido, pule a introdução, não tem problema.


Introdução

O motor 300 tdi equipou Defender, Discovery 1 e Range Rover Classic. É um motor diesel de injeção direta. Não apresenta injeção eletrônica. Ou seja, não existe um mecanismo eletrônico que faça a leitura de diversos parâmetros (variáveis) e equilibre de forma inteligente a mistura ar-combustível. O lado ruim é que, por exemplo, se você leva o carro para altas altitudes e ar rarefeito, o mecanismo não reajusta a mistura, você fica com uma mistura rica de diesel (em relação ao oxigênio) e o carro perde potência. Isso é só um exemplo. O lado bom é que você se diverte com a possibilidade de você mesmo fazer os ajustes. Bom, para mim é divertido, hehe.

A bomba de combustível, mecanismo que faz a injeção de diesel na câmara de combustão, tem no topo uma estrutura chamada LDA, que é essa parte que eu estou mexendo na foto ali de cima. A LDA recebe um caninho que está interligado com a saída do turbo-compressor. A pressão que chega por esse cano faz movimentar uma membrana de borracha, que está interligada a um pino (calma, você já vai ver nas fotos a seguir). Esse pino é o que regula a quantidade de diesel que será injetado de acordo com a pressão do turbo.

Antes que você siga na leitura, seria bom você assistir três vídeos no Youtube que mostram muito bem todo o funcionamento da LDA e outras formas de regulagem da bomba. Depois de assistir os vídeos dos mestres, continuarei fazendo minha reflexão.

Boost pin - Pino de performance para seu Defender Tdi por Ricardo Pocholo

Aproveito para comentar que, no meu caso, como o Pocholo falou, dois dos quatro parafusos de fenda da LDA estavam "soldados", não saiam de jeito nenhum, chegando a espanar. Por isso, levei no mecânico e pedi para trocar. E ele colocou quatro parafusos sextavados. Pocholo, obrigado pela dica!

Workshop Defender 300 Tdi - Parte 1

Workshop Defender 300 Tdi - Parte 2


Esses vídeos acima explicam certinho como fazer todas as regulagens. Muito mais fácil e visual do que eu ficar aqui tentando descrever. A partir dessa base de conhecimento que quero partir para uma nova reflexão. Acompanha-me.


Sintomas

Desde que comprei a Discovery, no fim de 2018, sinto que o carro parecia fraco em certas ocasiões. Vou relatar um ponto que me chamou atenção, pois a partir dele que fiz os testes.

Todos os dias, ao sair de casa, passo por uma rua com inclinação leve e constante. Inicio o movimento com a primeira marcha, estico até requerer a segunda e passo à segunda. Na segunda, a força segue aumentando e o motor desenvolvendo. E daí vem o problema. Quando o carro pede a terceira marcha, eu passo para a terceira, porém a terceira não desenvolve, o carro avança a partir daí com velocidade constante, próximo a 38Km/h e não passa disso, mesmo que afunde o pé no acelerador. A impressão que eu tinha era como se houvesse um limbo entre a segunda e a terceira marcha, em casos de subidas. A pressão do turbo parece que não entrava. Se eu esticasse bem a segunda e depois passasse a terceira, daí até daria certo. Mas, tinha a certeza de que faltava alguma regulagem.

Além disso, o carro não faz fumaça preta. Então, algo me indicava que a mistura não estava rica, podendo eu me beneficiar com um pouco mais de diesel, de alguma forma, sem problemas.


O que eu fiz primeiro

Comprei um boost pin? Sim. Mas deixei para depois, caso necessário (e no fim não foi). A ideia foi começar pelo mais simples de ser feito, e ir mexendo parte por parte, e testando bem entre uma parte e outra.

Como disse, meus parafusos originais estavam "soldados" e não saiam de jeito nenhum. A primeira parte então foi trocá-los por sextavados. O parafuso sextavado (para chave catraca) é muito mais apropriado para receber torques maiores. Poderia ser o hallen também, mas jamais o original de fenda ou um Phillips. Fenda e Philips são para torques baixos. Não que você precise dar um torque tremendo, na verdade nem se aperta muito ali. Mas, o que ocorre às vezes é o parafuso ficar muito bem grudado e você precisar de um torque maior para retirá-lo. Essa é a questão.

Retirando os quatro parafusos, você vê a membrana de borracha (foto abaixo). Antes de mexer na membrana, é bom usar uma canetinha para fazer uma marca, para lembrar da posição em que estava, pois a membrana com o pino gira. Eu marquei com um risco em direção ao parafuso superior direito.


A canetinha ficou fraca. Eu podia ver, mas na foto não ficou bem. Por isso, eu fiz essa marcação no computador, para que vocês vejam bem como foi feito.

É bem fácil retirá-la, não tem erro. Com a mão é possível, mas pode ser preciso usar uma chave como alavanca de forma leve para destacar o pino do fundo.



Puxando a membrana com o pino, é essa a imagem que se tem. Sai junto a mola e a argola de plástico (que não aparece nesta foto). O pino fica bem preso ao conjunto. Mas tenham o cuidado de não deixar cair a mola ou a argola de plástico, pois são soltas. Ao fundo, vê-se a corôa dentada, ao redor do buraco onde entra o pino.

A primeira coisa que queria tentar é dar uma volta no sentido horário nessa corôa, chamada de "papa-fumaça". Isso faz a corôa (que é a base de suporte para a mola) afundar, entrar um milímetro (ou mais) para dentro. Mas, antes de tudo, use a mesma canetinha para fazer uma marcação em um dos dentes dessa corôa. Assim você controla quantos graus irá girar.




Primeiro eu tentei com os dedos. Não consegui. Note que ao lado direito da corôa tem tipo uma trava, que faz pressão ali e impede que ela fique girando facilmente. Assim, é preciso usar uma ferramenta para forçar um pouco os dentes. Usei uma chave de fenda. Foi tranquilo. Dei 360° no sentido horário, até que o ponto azul voltasse à mesma posição.

Então, fechei tudo, cuidando para colocar tudo do mesmo jeito que estava (conforme marca azul sobre a membrana) e fui usar o carro para ver se percebia alguma diferença.

Confesso que não senti diferença significativa. Às vezes a vontade de que faça diferença é tão grande que você sente como se tivesse feito, mas não fez. Testei o carro na mesma saída, com aquela inclinação, passando da segunda para a terceira... Continuava com o mesmo problema.

Bom, resolvi fazer um outro ajuste. Poderia ter dado mais um giro na corôa, mas não quis. Deixei com aquela volta dada. Se uma volta não fez nada, duas também não seria aquilo. Resolvi partir para o pino.



Quero que você observe bem como é esse pino original. Veja como tem o formato de um cone. Mas não um cone bem reto, é um cone meio torto. A ponta do cone fica mais próxima de uma das margens. Note que a marcação vermelha é o lado mais próximo e a azul é o mais distante. Note a marcação em amarelo também. Marquei em amarelo o local por onde o medidor desliza. Sei que é ali, por causa da graxa ao redor (veja na imagem).

E aí a gente deve lembrar: o pino tem esse formato de cone justamente para permitir que você possa rotacioná-lo para ajustar a angulação pela qual o medidor irá percorrer. Se o medidor percorrer o caminho pelo lado menos angulado, a entrega de diesel é menor (conforme a pressão do turbo aumenta). Do lado oposto (isto é, 180° para qualquer lado) ocorrerá a maior angulação, que fará a melhor entrega de diesel conforme a pressão do turbo aumenta. Entenderam?

Agora, analisando o desenho e a marcação amarela, em qual angulação estava percorrendo o meu medidor? No meio do caminho. Ou seja, se eu girasse 90° para um dos lados, estaria aumentando a angulação, e se girasse 90° para o outro lado, estaria diminuindo a angulação.

Pois bem, o que fiz foi analisar bem onde estava o quê, e para qual lado eu teria que girar o pino. Notei que o medidor (pelo menos no meu veículo) ficava voltado para a frente do carro. E descobri que o sentido que eu deveria girar seria 90° no sentido horário. Veja abaixo como ficou.



Lembram que antes a marcação de caneta ficava voltado para o parafuso superior direito? Então, agora eu o deixei voltado para o parafuso inferior direito. Claro, de novo, a minha marcação está tão fraca que não apareceu bem na foto, por isso eu fiz essa marca azul, para ficar mais visível. Mas enfim, eu girei cerca de 90° (ou um pouco menos) no sentido horário.

Por favor, não saia girando o pino aleatoriamente. Faça como eu fiz. Abra, observe onde está deslizando o marcador, observe o quanto você deveria girar para um lado ou para o outro para que possa aproveitar o maior ângulo e acertar de primeira.

E outra coisa. Aproveite para limpar a graxa velha e passar uma nova graxa. Eu usei a graxa azul, de lítio, a mesma que uso nas cruzetas. Não é muito. É só um pouco, para o marcador deslizar com menos atrito sobre o pino. Bom, só não limpei totalmente. Deixei a mancha mostrando onde deslizava anteriormente, pois seria interessante saber.

Depois, é bom anotar tudo o que foi feito em algum lugar. Eu anoto sempre em um caderninho. Assim, se precisar voltar ao modo anterior, você lembra bem o que mudou.


Resultado

Bom, a prova final seria na prática. Saí e peguei o mesmo declive aquele. Passei da segunda para a terceira com pouca velocidade, de forma que eu sabia que o carro (nas condições anteriores) iria ficar sem força... e... O turbo entrou mais cedo, elevando a rotação e a velocidade do carro... Queria que você visse a minha felicidade, hahaha. Ficou outro carro. Não tem mais aquele limbo entre a segunda e a terceira.


Deixo aqui a minha reflexão

Vai mexer na LDA? Coroa? Boost Pin? Trocar a mola? Super LDA?

Calma! Faça uma coisa de cada vez e comece pelo que você já tem. Tem boost pin sendo vendido a mais de 300 reais! Eu comprei outro, pela Wish, e paguei apenas R$ 63 reais, de aço endurecido. Não sei se é bom, ainda nem chegou. Ganhei um outro, e guardei aqui. Pode ser que no futuro eu venha a usar, para ver se ganho um pouco a mais de potência, se quiser. Mas, quero que pense: e se você conseguisse a potência que queria sem precisar comprar um boost pin?

Outra pergunta que não quer calar é: o boost pin possui uma angulação maior do que a máxima angulação desse pino cônico? Bom, eu acredito que sim. Mas, gostaria se alguém pudesse fazer a medição para responder... Se alguém tem os instrumentos para medir, por favor, nos tire essa dúvida e nos escreva abaixo nos comentários. Só não vale achismo. Achar, até eu acho, acho que sim... Mas, queria ter medidas. Qual é essa angulação? Por exemplo, seria interessante se alguém dissesse "o Cônico vai de 10° até 20° e o boost pin mede 30°. Poxa, seria legal a gente ter esses parâmetros.

Mas o fato é: quantas pessoas colocam fora seus pinos cônicos antes de ao menos tentar extrair o máximo que eles têm a oferecer?

Enfim, eu vou seguir por aqui dirigindo com essa melhoria que tive. Se eu achar ser necessário, posso fazer outros ajustes no futuro, talvez possa diminuir o anel de plástico, para deixar o pino se aprofundar mais e entregar mais diesel com pressões maiores de turbo. Bom, veremos.

Amigos, espero que eu tenha passado o que aprendi com clareza. Não sou mecânico, mas tenho me dedicado a aprender. E tudo o que aprendo, gosto de compartilhar. Esse é o espírito que eu gostaria de ver em cada um dos landeiros, uns aprendendo com os outros. Então, se há algo que eu tenha falado errado, os mais entendidos aí sintam-se à vontade para me corrigir. Obrigado por acompanharem minhas postagens. Isso me dá ânimo para continuar escrevendo. Abraço a todos e muitos acampamentos na vida de vocês! Muitas viagens também!

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Resenha: Land Rover Discovery 300tdi

Um carro movido pela paixão, parte de uma comunidade de outros apaixonados pela marca Land Rover e tudo o que representa: liberdade, aventura, natureza, overlanding, campismo. A Discovery é capaz de te trazer tudo isso. E eu, com esta resenha, quero contar-lhes o que pensamos após um ano de uso e cerca de 15 mil Km rodados pelo Uruguai, Argentina e Chile.


Nossa Discovery 1996 motor 300tdi.

Um pouco da história da Discovery


Basicamente, a Discovery surgiu ao final da década de 80, como uma terceira linha da marca Land Rover, para complementar os já existentes modelos Defender e Range Rover. O primeiro, um utilitário robusto, ícone da marca, que antes era chamado apenas de “Land Rover” (séries I, II e III); o segundo, um carro com capacidades não muito distantes do primeiro, mas com perfil voltado para o conforto, o luxo. Criaram, então, a Discovery, um veículo com luxo intermediário (na época, o 200tdi), duas portas, sete lugares; um carro para levar a família para passeios de aventura 4x4, o que foi um conceito inovador na época. Alguns anos depois, quando o motor foi alterado para o 300tdi, o interior também foi mudado bastante, mas ainda guardando muitos aspectos que lembram o anterior. Enfim, meu objetivo aqui não é focar na história do veículo, mas achei bom começar por aí, de forma bem resumida. Para quem não conhece muito do carro, ajuda a se situar um pouco. Hoje, a Discovery está na quinta geração, muito mais moderna e bastante diferente da primeira.

Nossa Land Rover Discovery nos levando para mais um passeio. Stephanie na janela.



Por que escolhemos comprar uma Discovery 300tdi?


Na verdade no início não conhecíamos o carro. Nossa ideia era comprar um veículo diesel para fazer viagens longas, e uma das opções que conhecíamos era a Defender 300tdi. Já tínhamos lido bastante sobre esse veículo, sobre o motor. E éramos (ainda somos) apaixonados pelas Defenders, assim como também somos, por exemplo, pela Toyota Bandeirante, outra opção na época. Se querem saber mais detalhes, pontos positivos e negativos de cada um desses carros, podem ler a postagem Qual carro comprar para viagens longas? Mas, resumindo, chegou um momento em que descobri que algumas Discoverys levavam o mesmo motor 300tdi das Defenders. Mas as Discos são mais raras, por isso passavam mais despercebidas. Enquanto eu passava horas vendo anúncios de Defenders, a maioria 300tdi, em mais de um site de venda, as Discos 1 se contavam nos dedos, as Disco 2 também... E teve um anúncio que estava bem “fraco”, era só uma foto do carro por fora com alguma descrição. Eu tinha gostado, mas estava olhando as Defenders. Fiz visita a todas Defenders da região. E só uma a gente gostou, mas o preço estava muito alto, mais do que poderíamos. Então, após esgotar as possibilidades, mostrei para a Stephanie: “Olha essa Disco aqui, quem sabe a gente marca uma visita, para ver como é?” Ela topou. E quando a vimos por dentro, a conservação, o estado do motor, foi amor à primeira vista!

Foto do interior da nossa Discovery tirada com uma GoPro.



Especificações


Vou resumir bem a minha: Land Rover Discovery série 1 motor 300tdi diesel ano e modelo 1996 exterior verde, interior caramelo, suspensão com lift por calço de 2 polegadas, pneus 265/70R16 (mais largos e com maior diâmetro que os originais, que eram 235/70R16).



Após um ano de uso, o que pensamos da nossa Disco?


A maioria dos entusiastas diria “é uma lenda, carro fantástico!”, mas eu aqui quero me deter nos aspectos mais objetivos, pois entendo que você deve estar buscando a real, os lados negativos também, e não só os positivos. Vamos lá...


1) Design

A primeira impressão que se tem é o visual. É um carro alto, possante, robusto. É tudo isso mesmo. Os maiores carros da atualidade, como a Hilux, a Ranger, a SW4, não conseguem intimidar, mas talvez fiquem no páreo... Não é clássico, como uma Defender, mas, para quem gosta de raridade, este é, e cada vez mais será. Daqueles que as pessoas olham e ficam de queixo caído. Quem conhece, pensa “Nossa, uma Disco 1!” Quem não conhece, pensa “Nossa, que carro é esse?”


2) Interior

A segunda impressão é o interior. Embora seja um carro antigo, é algo muito bem trabalhado. Hoje em dia você entra nos carros e tudo é de plástico, tudo parece que vai se desmontar com os buracos da cidade. Na Disco 1, pelo menos na minha, que é da cor caramelo, você sente que é um carro de luxo, e um luxo de vanguarda, entende? Não é um carro que se baseou em outros por aí. Ele é único. E é funcional também, tem espaço para tudo e até sobra.


3) Conforto

Outra coisa é o conforto. Já dirigi um Defender. Tem muita gente que acha o defender desconfortável, porque o banco é muito rente à porta, bla bla bla. Eu até não sou desses, não acho dos piores. Mas, sem dúvida, a Disco é bem mais confortável. O banco acomoda, tem espaço certinho para as pernas, a visão pelos vidros é perfeita. Claro, não sou daqueles que anda no carro com o banco quase deitado, tentando uma “esportividade forçada”. Esses eu não sei se gostariam, mas aí é outro estilo. Na Disco é na medida certa, acomoda como tem que ser.


4) Manobra

E para estacionar um carro grandalhão como ela, é difícil? Que nada! A Disco é quadradona e cheia de vidros. Você tem uma ótima ideia da distância das coisas, é só se acostumar um pouco e ter cuidado.


5) Manutenções

A mecânica é simples mesmo. Eu sou da opinião de que quanto menos complexidades, menor a probabilidade de quebrar algo, então, mais barata a manutenção. Tem que ter cuidado ao escolher um mecânico, pois há os careiros e os sacanas. Fato é que não é preciso levar a um especialista em Land Rover para quase nada, só se quebrar algo muito específico mesmo. Eu aprendi a fazer todas as manutenções básicas em casa: troca do filtro de ar, do filtro de diesel, do óleo e filtro de óleo (veja postagem Como trocar óleo e filtro de óleo do próprio carro? ou o vídeo que fiz no YouTube com o mesmo nome), engraxo cardã e munhões. Todos esses filtros ou substâncias encontrei para vender em locais comuns, perto de casa, às vezes até nos postos. Tem também pelo Mercado Livre, em lojas especializadas de LR. Pago bem barato e não preciso nem gastar com mão de obra. A facilidade é que o carro é alto do chão, então, não preciso elevar ele para mexer. Mas quem quer pagar para fazer, é igual a qualquer carro, é só cuidar para não ser passado para trás. Quanto ao que é mais complexo, levo em uma oficina especializada em Land Rover, mas tive sorte e nunca paguei caro por nada. A única exigência é comprar um carro bem cuidado, pois é claro que um carro detonado iria dar problema, quebrar toda hora.


6) Suspensão

Não posso dizer por todas, mas muitas camionetas modernas têm uma péssima suspensão, dura, trepidante. É normal, pois um veículo alto pode acabar tombando nas curvas se tiver suspensão macia demais. Contudo, a Discovery não tem tanto esse problema. Isso porque o chassis dela é um par de viga de aço como de um arranha-céu, hehehe. Sim, o peso do chassis acaba baixando o centro de gravidade, permitindo que a suspensão possa ficar mais macia. Não é como um sedã de luxo, mas bem boa. Andei em um Renegade e em um Compass, e nem se compara, a Disco é muito melhor! Ainda assim, os proprietários da Disco 1 costumam alterar, para diversas finalidades. Pode colocar molas mais macias, maiores, amortecedores de primeira linha, e vai ficar um espetáculo. E é tudo simples, custa barato, um preço justo, na verdade. Não tem aquela frescura de suspensão a ar, amortecedores magnéticos etc.



7) Capacidade de carga

O porta malas não é muito grande não. Para o dia a dia, é bem suficiente, não sinto falta. Mas, para viajar, poderia ser um pouco maior. Acaba não me incomodando, na verdade, porque somos só eu e a Stephanie no carro, então usamos o espaço dos bancos traseiros. Estes, inclusive, podem ser rebatidos totalmente, de forma que a camionete fica como uma pick-up. Às vezes fazemos isso, mas preferimos deixar o banco normal. Além disso, como normalmente se usa bagageiro de teto, daí sim, se pode colocar muita coisa em cima. A gente não usa o bagageiro para carga, pois o portão de casa é baixo, e o ideal mesmo é aproveitar o espaço interno sempre que possível. Mas, se você quer viajar em um grupo, daí sim, podem ir mais pessoas dentro do carro e levar as coisas em cima, no bagageiro. O carro é forte. Pode até ser lento, mas leva o que for necessário sem aumentar muito o consumo.

Nesta configuração, para ir ao Uruguai, nós rebatemos os bancos traseiros. Por isso, vejam na foto, a caminhonete ficou com um espaço como uma pick-up. Esse toldo que cobre o porta malas, inclusive, pode ser retirado, se houver necessidade de empilhar mais coisas. Ao lado direito da foto, perto da lâmpada do porta malas, vocês podem ver o banco. Tem um de cada lado. Eles também podem ser removidos, para maior capacidade de carga. Eu nunca quis ter esse trabalho, nem senti necessidade. Gosto deles. Um dia estávamos em seis e, ao invés de irem todos em dois carros, fomos apenas no meu, utilizando um dos bancos do porta malas.


8) Motor

Acho que a maior vantagem do motor 300tdi, além de ser diesel, é claro, é o fato de ser simples, sem muita frescura. De novo, quanto menos detalhes, menos chance de dar problema. Quatro pistões, também, acho ideal. Esses carros modernos começaram a vir com três pistões, mas isso é ruim pela estabilidade das vibrações. Um motor de oito pistões, V8, seria algo bem estável, seria um motor invejável, potente e com som magnífico. Porém, V6 ou V8, é mais consumo, pois normalmente tem maior cilindrada, são feitos para ser muito potentes. No caso do 300tdi, um 4 pistões em linha, 2.5 litros, é bem basicão mesmo. O consumo dele gira em torno de 9.5 a 11.5. Em média, dá para calcular sempre como 10,5 Km/l. Depende do peso que você for carregar, se está subindo a serra, ou descendo, de muitos fatores, inclusive da regulagem (bomba, turbina...).

Por baixo do capô, esta maravilha. Para quem não entende, é muito confuso esse monte de canos e peças. Mas eu fui aprendendo com o tempo. Hoje saberia explicar a funcionalidade de quase todas essas partes.

O meu veículo, na época, foi importado. Então, o motor não é fabricado no Brasil, como outras Discoverys ou Defender de anos posteriores.

É um motor com turbo e intercooler, o que é muito bom, em comparação a outros veículos diesel da época. O turbo e o intercooler acrescentam potência. E o som do turbo é bonito de se escutar. Quando o giro aumenta e a turbina sopra forte, você sente que a potência aumenta bastante.

Por ser um motor diesel, o bom é que é um motor de forte estrutura e longa durabilidade, pelo menos quando é bem cuidado.

Agora, o lado ruim desse motor. Ele costuma ter problema com sobreaquecimento. Muitos reclamam disso. A gente nunca teve problema de a água ferver, mas temos um marcador de temperatura do cabeçote e vamos controlando. Não sei ao certo qual a temperatura exata que eu deveria ter receio de ultrapassar, mas, por enquanto, quando alcança a marca de 81 graus, eu começo a retirar o pé do acelerador, desligar o ar condicionado. Nunca deixei passei dos 91 graus na temperatura do cabeçote. Mas o próximo passo é instalar um sensor de temperatura de água bem preciso, que me mostre com exatidão a temperatura da água, daí sim não tem erro, dá para cuidar melhor. Esse então é um ponto negativo, ter que ficar sempre atento à temperatura da água, não forçar demais o motor. Sempre que a temperatura do dia está muito elevada, é uma preocupação.

Outro lado ruim, na minha opinião, é que o motor poderia ser um pouco mais forte. Ele tem 111HP apenas. Para um veículo de duas toneladas e meia, não é muito. Ele vai de vagar nas subidas, sim. Por esse motivo tem muito landeiro que refaz o motor para 2.8 litros, ou troca a turbina por outro modelo, ou coloca um intercooler maior. Ou seja, ninguém está plenamente satisfeito. Mas, pelo menos tem solução. Eu não penso em transformar em 2.8. Em geral se faz isso quando o motor precisa de retificação, daí já se aproveita e modifica. Mas o próximo upgrade nesse sentido será colocar um intercooler duplo, talvez. Se bem que eu dirijo de vagar, então não me incomodo tanto com isso.

Outro problema do motor é que, pelo fato de não ter injeção eletrônica (o que, já disse, é também uma vantagem), quando o ar fica rarefeito, como quando subimos as cordilheiras dos andes, o motor enfraquece muito, pois entra menos oxigênio para a combustão e fica uma mistura rica em diesel, sai fumaça preta, o carro consome mais. A 5 mil metros de altitude, então, o carro não conseguia passar dos 35 Km/h, por aí. Bom, na verdade, se eu enfiasse o pé no fundo, até andaria um pouco mais, porém com alto consumo, e com a temperatura do cabeçote indo às alturas. Então, a gente tinha que desligar o ar condicionado e andar bem de vagar. Na volta de San Pedro de Atacama, então, tinha uma subida sem parar por uns 30min. Mas aí eu descobri o segredo: engatei a reduzida. Com a marcha em quinta da reduzida o carro foi, de vagar, ainda, mas sem problema nenhum de sobreaquecimento. Ou seja, em altitude, o jeito é usar a reduzida para algumas subidas, para evitar o sobreaquecimento.


9) Tração 4x4

O bom desse carro, e de todas as Land Rovers, é que a tração 4x4 é integral, graças ao diferencial central. A maioria dos carros, até os modernos, não possuem isso, não sei por quê. Só podem ligar o 4x4 quando a superfície de contato for de baixa aderência (lama, areia). Em asfalto, por exemplo, não podem. Já a Discovery está sempre tracionada, e isso é ótimo, dá mais segurança em curvas, gasta pneus de forma mais regular, não patina facilmente e está sempre pronta para enfrentar condições difíceis.


10) Freios

Como eu não sou de correr na cidade, não sinto falta de freios mais potentes. A Disco tem freio à disco nas quatro rodas, olha que legal que ficou a frase, hehe. Acho que quem deixa o carro muito pesado, com para-choques de impulsão, barraca de teto etc, daí sim, pode ter mais dificuldade para frear, pois, quanto mais peso, maior a inércia, mais difícil de parar, ainda mais aquelas pessoas que aceleram e freiam em cima. Para mim, estão bons assim como são. Mas, a maioria dos usuários acaba fazendo upgrades, colocam hidrobooster, por exemplo, trocam cilindro mestre, essas coisas. Talvez um dia eu faça.

Ao fundo, o vulcão Licancabur, próximo a San Pedro de Atacama.



11) Lataria

A lataria é quase toda em alumínio, como as Defenders. Você bate com o dedo e sente que é forte, e não uma latinha de cerveja como os veículos modernos. A Discovery é daqueles carros que quando bate, o outro se estraçalha e ela só dá um arranhãozinho, hehe. Bom, melhor não tentar, porque as peças de acabamento, essas sim são difíceis de conseguir.

Cordilheiras dos Andes, Chile.


12) Seguro

Tem como fazer seguro sim, mesmo ela tendo mais de vinte anos e sendo um veículo Off-Road. Mas, sinceramente, não vale a pena. A vez em que fiz uma cotação, sairia mais de quatro mil reais por ano. Então, é inviável. Em poucos anos, economizando, você poderia comprar uma Discovery “nova”. Digo, pelo valor atual do carro, é melhor guardar esse dinheiro para, no dia em que acontecer algum sinistro, você ter como consertar, ou pelo menos comprar outra... E eu, com meus 15 anos de motorista, nunca precisei acionar o seguro, lembrando que só vale a pena acionar o seguro quando o valor do conserto ultrapassar o valor da franquia. Então, na maioria dos sinistros, você de qualquer forma paga do seu bolso. Sei lá, tudo na vida envolve certo risco. Eu assumo o meu, e faço o possível para que o risco seja o menor possível, sendo cauteloso e dirigindo pouco e de vagar. Invisto em outras formas de segurança, evito estacionar na rua, deixar coisas dentro, essas coisas. É uma questão de probabilidade.


13) Valorização

Ao longo dos anos, é normal que o veículo vá perdendo seu valor. O preço vai caindo. Porém, um dia alcança um patamar e de lá não cai mais. A Disco 1 já chegou aí. A partir de agora, as bem conservadas vão ficando cada vez mais raras e o preço provavelmente irá aumentar, acredito que acima da inflação. É só você olhar quanto custa os veículos mais antigos, quando bem conservados. Quanto mais raro, mais original e mais conservado, maior o preço. Claro, para conservar bem, tem um custo. Mas, se você ama o carro, isso não é um peso, é um investimento na felicidade. A manutenção é barata mesmo, mas eu tenho gastado em upgrades. Dá prazer planejar e comprar algo novo para o carro. O que eu tenho certeza é que hoje eu venderia ele por mais do que paguei, com certeza. Muito diferente é quando se compra uma camionete nova. Você compra por 200 mil reais, ou mais, e nunca mais vende por esse preço. A manutenção dessas camionetes novas é cara, ainda mais porque carro novo sempre se quer levar em autorizada, para não perder a garantia. Só que na autorizada eles te tiram o couro!


Bom, gente, acho que é isso. Se eu lembrar de algo mais, acrescento depois. E, se você tem esse carro e quer compartilhar sua opinião, fique à vontade para comentar, aqui em baixo. Acho que me alonguei demais até, mas, de fato, tinha muito a dizer. Obrigado por ler acompanhar nossas postagens! E até a próxima!

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Uma barraca iglu sobre o bagageiro de teto

Boa tarde, meus amigos! Temos o prazer de apresentar nosso projeto, já testado e aprovado por várias vezes: uma barraca iglu comum sobre o bagageiro de teto! Não fui o primeiro a fazer isso, e espero que, com esta postagem, mais pessoas também possam fazer.

Essa foto foi de um acampamento que fizemos no Brasil Raft Park, no município de Três Coroas. A área para camping ficava mais a frente, e era em um terreno inclinado, com muitas árvores e folhas pelo chão. Não gostamos do local indicado. Mas que bom que, com essa nossa barraca, podemos dormir em qualquer lugar onde o carro puder ficar estacionado.


Tudo ficou pronto lá por agosto deste ano (2019), pouco antes da nossa viagem para o Atacama, onde pudemos acampar sobre o carro diversas vezes ao longo do trajeto de 17 dias até o Chile, passando pela Argentina, em camping e em posto de combustível. Depois, ainda fizemos mais uma viagem para a serra, aqui perto, dormindo mais duas noites em dois campings diferentes. Assim, podemos agora falar com mais propriedade sobre as vantagens (e desvantagens) desse projeto.

Para você que está pensando em comprar uma daquelas barracas tradicionais, que custam mais de cinco mil reais (fora o bagageiro de teto), pare, leia e repense. Estamos aqui falando de um custo de menos de quinhentos reais (preço da barraca iglu, mais o colchão de ar e um piso de EVA). Ou seja, pelo menos 10x menos. E COM MAIS VANTAGENS, MAIS BENEFÍCIOS!

Land Rover Discovery 1 com barraca comum sobre o teto do carro.
Sabe o que é interessante também? Você pode movimentar o carro sem desarmar a barraca, coisa que você não faria com aquelas barracas automotivas típicas de 6 mil reais, pois elas ficam apoiadas no chão pela escadinha. No nosso caso, se eu achar que o local não ficou bom, ligo o carro e saio andando até achar um melhor. Uma vez a Stephanie até resolveu ficar dentro da barraca enquanto eu movia o carro.


Já escrevi anteriormente uma postagem aqui sobre as vantagens e desvantagens de diversas formas de acampamento para viagens longas (veja aqui: Onde dormir em acampamentos de viagens longas?). A quinta possibilidade que discuti na época era colocar uma barraca comum sobre o bagageiro de teto, lembra? Naquele tempo, eu ainda achava que seria preciso montar um piso em chapa de metal. Mas me preocupava que o piso poderia ficar abaulado e acumulando água. Assim, descobri outra possibilidade, ainda melhor: chapa expandida.



E, para não ficar desconfortável, e não tivesse o risco de rasgar o piso da barraca, a solução foi comprar um piso de EVA tipo tatame, montado em oito partes.

Acredito que a dúvida que algumas pessoas podem ter é se não ficaria muito complicado para montar essa iglu em cima do carro. A minha resposta é: não necessariamente. A dica é você comprar uma iglu que seja de fácil montagem, além de, é claro, servir corretamente em cima do bagageiro. Por isso, compramos uma iglu Quechua Arpenaz 2 Fresh and Black. Fizemos até uma postagem anteriormente falando sobre ela, incluindo um vídeo da montagem. Veja clicando em Resenha: barraca Quechua Arpenaz 2 Fresh and Black. Não é a única opção. Mas, perceba que esta barraca é pequena, tem apenas duas varetas, e não precisa que se passem as varetas por dentro da lona. É só clipar uma coisa na outra. Portanto, é um modelo de fácil montagem.

Stephanie inflando o colchão de ar. Vejam como a posição para inflar fica confortável. Se fosse sobre o chão, seria preciso ficar abaixado, ou de joelhos.


Mas agora vou explicar como é o processo de montagem de tudo, não só da barraca. Vejam:


PASSO A PASSO PARA MONTAR ACAMPAMENTO


1 - Primeiro estaciono o carro em um local plano, ou o mais próximo a isso.

2 - Depois, subo na traseira do carro com os pisos e começo a montar as oito peças do tatame. As bordas eu colei com cola instantânea, para não ficarem caindo. É muito fácil mesmo. Não preciso nem subir no bagageiro. Fico apenas em pé, sobre o para-choque traseiro.

3 - Depois de instalado o piso, é só montar a barraca. É possível montar essa iglu diretamente em cima do teto, até sozinho, mas para isso tem que adquirir prática, é um pouco mais difícil, e tem risco de cair. O ideal mesmo, na minha opinião, é montar a barraca no chão, e depois levar tudo para cima. Muito mais fácil e tranquilo.

4 - Amarrar a barraca ao bagageiro de teto. Para isso, uso cordinhas simples. E o interessante é que nem preciso catar cordinhas por aí, pois deixo-as sempre fixas aos quatro cantos da barraca. Dobro tudo junto. No meio das laterais há dois elásticos próprios da barraca. Estes alcançam direitinho em dois pinos do bagageiro. Ou seja, a barraca fica bem fixa em seis pontos. Muito mais fixa do que se estivesse presa em espeques tradicionais, no chão.

5 - Inflar o colchão de ar (ou estender colchões de espuma, se for o caso). Nós inflamos com uma bomba manual. Dá um pouco mais de trabalho, mas o colchão que temos tem um sistema de enchimento um pouco mais rápido. Mas, para quem quer mais praticidade ainda, também é possível usar bomba elétrica. Estamos até pensando em adquirir uma. Outro detalhe é que, com a barraca em cima do teto, fica mais ergonômico inflar o colchão, do que com ela no chão.

6 - Pronto. Agora é só levar as coisas pessoais para dentro, como lençóis, travesseiros, cobertor... Como a barraca não é grande, só levamos o essencial. O resto fica tudo dentro do carro, como veio. Melhor ainda, pois não precisa tirar coisas e depois colocar de novo ao fim do acampamento.




Então, meus amigos, o que acharam do projeto? Comente com a gente se você gostou, e principalmente se você resolveu fazer como nós, pois adoraríamos saber que mais pessoas decidiram esquecer das convencionais barracas caríssimas de teto e fazer algo diferente e simples, e com muito mais vantagens! Até a próxima aventura!! E por enquanto nos vemos pelo nosso perfil no Instagram, @decarropelaamerica. Abraço!




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Restauração do silenciador da nossa Discovery

Não há nada melhor do que fazer as coisas a gente mesmo. Por que pagar para fazerem, se você vai se divertir e ter orgulho do resultado?




Quem tem acompanhado nossas postagens já deve ter percebido que um de meus passatempos favoritos tem sido olhar para o carro e pensar "o que posso melhorar nele?" E sair aprendendo e futricando em tudo que posso.



Então, na foto acima está estampado um detalhe que passei a observar e me incomodar de certa maneira. Mesmo depois de uma boa lavada, lá estava aquele velho silenciador com aspecto de sujo, ou de ferrugem. Por quase um ano eu não fazia ideia de que eu poderia um dia ser capaz de fazer algo com ele por minha própria conta.

No último mês cheguei a ficar um bom tempo pesquisando outras alternativas: silenciador esportivo, ponteiras cromadas, ponteira dupla, escape direto, e assim por diante. Mas um dia estava em uma ferragem procurando um parafuso qualquer e vi numa estante um frasco de tinta em spray que dizia "alta temperatura". Era uma tinta que poderia ser usada para pintar escapamento. Aquilo me deu uma ideia. Comprei o frasco e um pedaço de lixa para metal.

Tinta indicada para pintar escapamento, por resistir a altas temperaturas.


Tinta para alta temperatura, solvente (Thinner), lixa-ferro, papel-pano, pote, luvas de borracha, jornais, detergente líquido neutro, palha de aço e fita crepe.

Primeiro passo foi remover o máximo possível das sujeiras no silenciador. Para isso, usei uma esponja de aço dessas de cozinha mesmo, como se estivesse limpando uma panela. Usei um pouco de água para ajudar a umedecer a sujeira.


Aqui raspei o silenciador com palha de aço e água com detergente líquido para retirar ao máximo as sujidades e ferrugens da peça. Depois disso, ainda precisei lixar e passar solvente.



Só isso já revelou uma cor de metal que há muito tempo não se via. Mas tinha um pouco de ferrugem ou algumas sujeiras que ainda permaneciam. Então, o segundo passo foi usar a lixa.

Depois de lixar, passei um papel-pano com água e detergente para retirar todo o pó proveniente do processo anterior. Na verdade mesmo não fiz tudo em etapas tão definidas. Depois de lavar, por exemplo, eu resolvia dar mais uma lixada, então voltava a lavar etc. O importante é que no fim tudo esteja o mais limpo possível para receber a pintura.

O silenciador, como ficou: com a parte metálica mais exposta, pronta para receber a pintura.


Vi na internet que se passa solvente de tinta (Thinner) antes de pintar, para ajudar na limpeza. Talvez ele ajude a dissolver algumas impurezas, não sei. Mas fiz.

Enfim, tudo ficou pronto para ser pintado. Mas antes, é claro, usei jornais e folhas de revistas grudados com fita crepe para evitar pintar outras partes do carro.

Como a pintura foi feita no próprio local da peça, o acesso dificulta um pouco a aplicação. Mas deu certo. Veja como ficou o resultado final, após duas mãos de pintura.

Vista do carro por trás para mostrar o silenciador já pintado com tinta preta fosca para alta temperatura.


Silenciador recém pintado de preto, visto por baixo.


Na minha opinião, deu uma nova cara, sem perder a originalidade. A cor preta deixa ele com menos destaque nas fotos e ainda combinando com o parachoque. Não é mais aquela coisa enferrujada e suja que se destacava indevidamente no visual. Agora, quando escrevo, já se passou cerca de um mês que fiz a reforma e já posso garantir que tudo ficou em bom estado. Já estou pensando no que mais poderia pintar em baixo do carro.

Gostou do resultado?

Porém, ainda faltou uma coisa...
Lá no início, quando eu passava palha de aço, notei que na parte de cima havia um acúmulo de terra incrustada. Quando esfreguei, ou lixei, abri um furo. Na verdade o furo já estava se formando, eu só revelei ele. Na verdade, mais de um furo... Enfim, a terra absorve umidade, e essa umidade foi a responsável por, ao longo dos anos, corroer a superfície.

Parte superior do silenciador, antes da reforma, mostrando um furo, que foi causado pelo acúmulo de sugeira ao longo dos anos, o que causou umidade, deteriorando a peça.


Se aquele furo ficasse assim, aberto, a água iria entrar e se acumular no interior do silenciador. Daí sim, acabaria com ele em pouco tempo. Eu não poderia deixar isso acontecer! Então, comecei a pesquisar formas de tampar esse buraco. E você não vai acreditar no eu fiz!

Tesoura, latinha de alumínio, lixa-ferro, cola para escapamento e tinta para alta temperatura.

Isso mesmo, uma latinha! De onde mais eu poderia encontrar uma folha de metal suficientemente resistente e mesmo assim flexível e fácil de cortar? Como se vê na foto, lixei bem a latinha para deixar o metal todo à mostra.

Lixei ao redor dos furos, para preparar o local para a alicação do remendo.

Antes de colar, lixei novamente o silenciador ao redor da área danificada, para deixar o metal dele também à mostra, para melhorar a adesão. Nele e na latinha, limpei bem com solvente, para retirar ao máximo as impurezas.

Recortei a latinha já lixada no formato que eu precisava para tapar a zona dos buracos e apliquei a cola para escapamento.

Aqui está o pedaço recortado da latinha com a cola.

Apliquei o pedaço de latinha de alumínio com a cola para escapamento.

E assim ficou, logo depois de aplicado. Apertei bem, para evitar bolsas de ar e aproximar ao máximo as superfícies dos metais. Depois, retirei o excesso de cola que saiu pelas laterais. A consistência dessa cola é como de cimento. Bem parecido mesmo. Então, só faltava pintar.

Depois de umas duas semanas de aplicado o remendo, lixei novamente, limpei bem com solvente e depois pintei com a mesma tinta para alta temperatura.

E assim ficou o resultado final do remendo, após a pintura. Não ficou perfeito, mas o importante é que o silenciador está salvo. Lembrando, se ele ficasse furado, iria entrar água e sujeira para dentro e logo ele iria apodrecer, até furar na parte de baixo e por dentro. Visualmente, não tem problema, pois esse remendo é na parte de cima, onde ninguém olha.

Resultado. E então, ficou ou não uma beleza?

Mais um passo concluído. Espero que tenham gostado e se inspirado para novas reformas em suas máquinas de guerra. Cuidem bem delas, e sempre estarão ao seu lado, nas maiores e mais desafiadoras aventuras. Ah, e se alguém tem alguma ideia para dar, comentem abaixo. E boas viagens! Abraço!


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